Friday, 31 May 2013

Cliché porquê?

Após uma prolongada e dolorosa ausência devido às condições adversas que têm surgido nestes tempos (portanto, os testes) eis que me vejo com algum (pouco) tempo livre para redigir um pequeno post sobre uma pergunta que me tem feito pensar durante muito tempo.
Ora, como sabem, eu sou um grande fã de fantasia. No entanto, isso não significa que seja um crítico literários específico desse género. É claro que depois de se ler muitos livros dentro de um género, é normal
que os nossos padrões de qualidade vão evoluindo até chegarem ao ponto de serem tão altos que poucos são os livros que consideramos bons. A fantasia é, por outro lado, um dos géneros mais complexos uma vez que resulta da mistura de outros géneros. Uma boa obra de fantasia deve conter assim uma grande quantidade de elementos fantásticos (como seria de esperar), um pouco de romance (um pouco, Stephenie Meyer, não carradas), mistério, drama, intriga, crime, etc. Mas para um escritor de fantasia surge a pergunta: como devo eu escrever uma obra original que contenha todos estes critérios?
A Stephenie Meyer, para variar
Pois, aí é que reside o problema. Os livros não são propriamente novos, surgiram há muitos séculos atrás, o que significa que tudo o que podia ser escrito já foi escrito e por mais que uma pessoa pense numa história completamente original ou esta é demasiado absurda (por ser muito diferente) ou não existe. Portanto é tarefa de um autor escrever uma história que seja, pelo menos, um pouco diferente das que já foram anteriormente publicadas. No entanto, como pode um autor saber se o seu twist pessoal não foi já feito? Para saber isso teria de ler todos os livros já publicados, o que é completamente impossível, e esta tarefa torna-se ainda mais difícil dentro da fantasia uma vez que os fãs deste género são cada vez mais e mais exigentes, fartos de verem porcaria publicada no seu género, fartos de verem livros carregados de clichés a circularem no mercado. É então que surge outra pergunta: por que é que uma coisa é cliché?
Supostamente um cliché é algo que já foi feito, algo tão comum que já ninguém quer ler, algo que está demasiado na moda, é demasiado mainstream. Um exemplo de cliché recente: romance entre vampiros e humanos. Outro: livros de fantasia que incluem elfos, anões e dragões, etc. Mas se nenhum livro é original e se um cliché é algo que já foi feito, então não estão todos os livros cheios de clichés?
Bem, não. Não há um critério definido que nos diga que um aspecto de um livro é cliché e outro não. Na minha opinião, este critério baseia-se no senso-comum do leitor. É o leitor, que em conjunto com outros leitores, decide se algo é cliché ou não. Hoje em dia verificamos que no mercado literário, como o mercado da roupa, têm surgido modas. Um livro é publicado e é bem recebido pelo publico e no ano e meio seguintes saem livros atrás de livros que se parecem com o primeiro que teve sucesso. Verificámos isso com a saga Twilight e com a dos Jogos da Fome. Estes livros popularizaram um género (vampiros e distopia respectivamente) e lançaram modas. É óbvio que ao fim de algum tempo o mercado literários e os leitores já estão saturados com o género que está na moda e acaba por se tornar cliché. Se agora eu lançar um livro em que um vampiro se apaixona por uma humana será, muito provavelmente, odiado por quase todos porque já foi feito demasiadas vezes nos últimos anos. Mas "nos últimos anos" não significa para sempre.
Great books
É época em que o livro é publicado tem então influência na decisão dos leitores decidirem se algo é cliché ou não. O problema é que para algo deixar de ser pouco original têm de passar muitos anos, muitos anos mesmo. Temos de esperar por uma "renovação das gerações" esperar que as pessoas que assistiram ao lançamento de uma moda morram para que se renove o mundo dos leitores. É por isso que paixões entre vampiros e humanos ainda são cliché. É por isso que os fãs da fantasia consideram elfos, anões e dragões cliché. No último caso, quem popularizou esta série de raças mitológicas foi J.R.R. Tolkien e a sua grande obra "O Senhor dos Anéis". Quando lemos "O Senhor dos Anéis" não achamos nada daquilo cliché porque sabemos que foi publicado há muitos anos e quando saiu para o mercado era original. Os livros que se seguiram é que acabaram por ser cliché porque são, grosso modo, imitações baratas desta grande obra (já o mesmo não se pode dizer do Twilight já que este já é uma imitação super-rasca do "Drácula").
Resumindo, cliché porquê? Bem, no caso da fantasia, podemos dizer que é cliché porque o J.R.R. Tolkien escreveu uma obra demasiado boa e por mais que alguém tente escrever um livro com elfos, anões e dragões, nunca será tão bom como "O Senhor dos Anéis".
Na vossa opinião por que é que algo é considerado cliché? Concordam ou discordam com a minha opinião?

P.S.: eu sei que é um post um pouco confuso e sei que não tenho estado activo na blogosfera literário portuguesa e por isso peço desculpa. Prometo que em breve voltarei a publicar e a comentar o máximo que puder.

Até à próxima e... boas leituras!

Saturday, 4 May 2013

Primavera - um poema

Primavera
por Pedro Pacheco


Subtil, indecifrável, o aroma ergue-se no ar
Viajando ao som do vento, dançando valsa lenta,
Passando pelos campos, correndo para o mar,
Subindo em espiral das papoilas que florescem,
Seguindo rios apressados, cantando uma melodia
Que nos anuncia a Primavera, que nos chama,
Num murmúrio arrastado durante o dia
E num silêncio profundo na noite estrelada.

Chega a Primavera, derretendo a neve
Que o Inverno nos deixou em dias frios
De céu branco onde flocos puros caíam leve,
Suave, lentamente, cobrindo-nos num manto
Branco e virgem, um manto de esquecimento
Que nos aconchega e nos abraça, pintando,
Esculpindo! as paisagens do nosso lamento
Num lusco-fusco infinito, eterno, permanente.

E as aves saem dos ninhos, a andorinha chega
Como uma lança branca de paz que rasga o céu
Outrora de um azul profundo que nos aconchega,
Lançando sobre nós a luz do Sol ofuscante
Que dá cor à erva, que faz as árvores florescer
Colorindo a pouco e pouco um mundo afundado
Em tristezas e mágoas que nos fazem tremer.
E enfim chega a Primavera, subtil, indecifrável.

Tuesday, 30 April 2013

Um pedido de desculpas e uma breve opinião sobre as primeiras 258 páginas do "Nómada"

Este deve ser o título mais explícito que alguma vez dei a um post. Não obstante, vou desenvolver o tal título para que todos possam perceber o porquê da sua existência.
A primeira parte do título refere-se a um pedido de desculpas que já devia ter vindo mais cedo, mas não veio. Isto porque aqueles que seguem o meu blog ou o visitam regularmente irão reparar que não publico um
post há, aproximadamente, um mês. E aqueles que são seguidos por mim irão reparar que não comento nenhum dos seus posts há, aproximadamente, um mês. Porquê? Ora porque fiquei sem Internet durante quase todo o mês de Abril e provavelmente o mesmo irá acontecer durante o mês de Maio - e por isso apresento já o meu pedido de desculpa para este mês que se segue. Por um lado esta falta de Internet foi terrível, horrenda, um pesadelo pois privou-me dos mais fúteis prazeres e não me deixou comentar nos posts de ciberamigos nem partilhar experiências de leitura com esses mesmos amigos. Por outro até foi uma boa experiência por duas razões: a primeira porque me mostrou como é viver durante quase um mês sem Internet (um bem que hoje todos temos como quase garantido) e a segunda porque me deixou mais tempo para ler porque, sejamos honestos, sem Internet não há grande razão para ir ao computador.
Assim sendo, Abril acabou por se tornar num mês quase excepcional para leituras: acabei o quinto livro da saga Harry Potter (Harry Potter e a Ordem da Fénix que tem, aproximadamente, 750 páginas), o sexto livro da mesma saga (Harry Potter e o Príncipe Misterioso), comecei o sétimo também desta saga (Harry Potter e os Talismãs da Morte), li umas quantas páginas de um livro que eu julguei ser bom mas que se revelou bastante mau (A Rainha Branca) e li 258 páginas do mostro chamado "Nómada", páginas essas que irei opinar na segunda parte deste post.

A aproximação da estreia do filme "Nómada" adaptado do livro com o mesmo nome fez aumentar a minha ansiedade em ler este livro enorme que ronda as 900 páginas. Já tinha ouvido falar tão bem deste livro por parte da comunidade literária tanto do Youtube como dos blogs que o meu cepticismo perante este livro desapareceu por completo. Porquê cepticismo? Pelo simples facto de ser escrito por uma autora tão falada neste blog (quase nunca pelas melhores razões): Stephanie Meyer. Então lá fui eu à biblioteca e requisitei o livro.
Quando comecei a ler confesso que fiquei intrigado e satisfeito. O conceito era bom, o início era apelativo. Mas o primeiro problema surgiu quase nas primeiras 50 páginas. Para explicar este primeiro problema apresento aqui um breve resumo da história: o planeta Terra sofreu uma invasão por parte de uns aliens que são uma espécie de almas que se apoderam do corpo de seres vivos e nele vivem para, supostamente, afastar o mal dos planetas que visitam. Mas um grupo de humanos consegue sobreviver, entre eles estás Melanie Stryder, uma jovem guerreira que, infelizmente, foi capturada e implantaram-lhe uma alma de nome "Nómada", uma das mais experientes almas, a que mais planetas visitou e mais vidas viveu (e atenção que estas maravilhosas características são repetidas indefinidamente no início do livro). Ora com este resumo lá
fui eu esperando uma guerra interna entre a Nómada e a Melanie que, surpreendentemente, consegue resistir à implantação da alma. Esperava que esta batalha se alargasse durante grande parte do livro pois seria interessante ver como a Nómada tentava conquistar o corpo de Melanie e vice-versa. Mas então a Nómada (que é tão resistente) submete-se à mente de Melanie que agora manda em tudo, incluindo em Nómada.
O segundo problema surge logo a seguir. Melanie começa a mostrar a Nómada uma série de recordações onde Jared, um homem lindo de morrer (como seria de esperar) e por quem Melanie se apaixonou. E adivinhem: Stephanie Meyer atinge-nos com mais um cliché ao fazer Nómada apaixonar-se por Jared.
O terceiro problema aparece então com o progresso da leitura. Depois de aceitar o facto de que Nómada também se apaixonou por Jared (o que seria de esperar vindo de um livro de Stephanie Meyer), a leitura torna-se simplesmente tediosa. Partes que deviam ser desenvolvidas (como a luta interna entre Nómada e Melanie) são apressadas e partes que deviam ser apressadas (como os dias em que Melanie passa numa gruta extremamente desconfortável, como é repetido vezes sem conta) são arrastadas durante páginas e páginas e páginas.
Por fim vem o quarto problema, aquele que "encheu o copo" e me obrigou a pousar o livro. É que Melanie ou Nómada finalmente encontram Jared quando pensavam que toda a esperança estava perdida. O que é que acontece neste momento emocionante? Jared dá um murro Melanie. Ok, é um choque mas podemos compreender o porquê: ele pensava que a Melanie tinha desaparecido e que um alien tinha tomado conta do seu corpo. O que seria de esperar? Melanie ia explicar, provando, que ainda lá estava e que ela e Nómada partilhavam o corpo. Mas não, Melanie fica calada, com medo de a matarem, e passa dias numa caverna desconfortável. Pronto, tudo bem, ela decidiu não falar mas que pelo menos revele um pouco de desprezo contra Jared que lhe espetou um murro. Mas não, segue-se um longo e cansativo discurso interno onde Melanie repete vezes sem conta que ainda o ama, que ele é lindo de morrer, descreve cada centímetro do seu corpo (excepto, claro, as partes privadas porque Melanie ainda é demasiado jovem -.-), e quase diz que o murro é uma prova de amor por parte de Jared. Da próxima vez que quiserem falar com alguém lembrem-se de lhe dar um murro para ela perceber que gostam mesmo dela.
Infelizmente... Stephanie Meyer continua a surpreender-nos, lançando cliché atrás de cliché e dizendo que a cada livro que escreve fica melhor. Eu, se fosse a ela, pensava bem nessa teoria.
Com esta pequena crítica ao livro "Nómada" me despeço de vocês.

Até à próxima e... boas leituras!

Tuesday, 19 March 2013

O Punhal do Soberano - Opinião

Sinopse:
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o Reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o Rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opinião:
Depois de ter ficado muito surpreendido com a mestria de Robin Hobb no "O Aprendiz de Assassino", não conseguia esperar para ler o segundo livro e acabei inclusive por comprar os outros três que completam esta saga. Digo já que adorei este livro mas não tanto como o primeiro. Talvez porque o primeiro foi o que me introduziu ao mundo de Hobb e trazia-me surpresas a cada virar de página. Este, por ser o segundo, lança-nos mais uma vez para um mundo que já conhecemos com personagens que também já conhecemos. Mas, mesmo assim, este é um dos melhores livros de fantasia que já li.
Continuamos a seguir, obviamente, a história de FitzCavalaria Visionário que no último livro ficou às portas da morte graças a um envenenamento por parte de Kettricken que pensava que Fitz queria matar o irmão, tudo por causa de Majestoso. Fitz, neste livro, começa a entrar na puberdade/adolescência, aquele momento da vida tão confuso e perigoso e que Robin Hobb conseguiu captar de uma forma impressionante. A sua paixão por Moli cresce a cada minuto que passa mas, no entanto, vê-se proibido de falar ou encontrar-se com ela, tudo devido aos mexericos da corte que iriam ver Moli como uma plebeia casada com um bastardo e sem qualquer dignidade. Depois temos Majestoso, a personagem que todos adoramos odiar, a personagem que nos faz querer arrancar as páginas do livro mas que não deixa de ser interessante e astucioso, conseguindo estar um passo à frente de Fitz, humilhando-o e rebaixando-o. A seguir Veracidade e ele é das minhas personagens favoritas. Preocupa-se por Fitz e trata-o como seu filho, odeia Majestoso e quer a todo o custo manter a paz no reino que, apesar de ainda não ser seu, é mais dele do que de Sagaz. E no meio de tantas ocupações, entre as quais treinar Fitz no Talento para que este o possa ajudar durante o Verão na luta contra os Navios Vermelhos, Veracidade não consegue arranjar espaço na sua vida para a pobre Kettricken, sua fiel esposa, que só quer passar mais tempo com o seu marido.
Kettricken é também bastante interessante e não conseguimos deixar de sentir empatia por ela. Sempre cresceu com os ideais de que o rei é um Sacrifício cujo dever é trabalhar e assegurar o bem-estar do povo, independentemente do que aconteça. Mas agora, atirada para um cultura diferente onde as princesas e rainhas ficam sentadas nos quartos a coser e a conversar, sente-se triste e sozinha e quando assistimos aos seus momentos de triunfo não conseguimos conter um grito de orgulho por ela. A personagem mais misteriosa e impressionante foi, sem dúvida, o Bobo que aparece poucas vezes ao longo do livro mas tem sempre uma presença teatral e misteriosa, ditando profecias e relatando histórias que escondem segredos mais ocultos.
Para mim, e sei que isto vai chatear algumas pessoas, a personagem que menos me cativou foi Lobito e os capítulos em que aparecia eram os mais aborrecidos. Não creio que acrescento algo de importante ou valioso para a história, parece uma personagem que foi atirada para ali só para fazer os leitores lembrarem-se da Manha. Certo que teve os seus momentos, principalmente quando salvou Fitz nas lutas contra os Forjados, mas por enquanto ainda não me conseguiu cativar. Por outro lado, os capítulos mais interessantes e que mais ansiava por ler eram os que envolviam a Moli e que foram, infelizmente, poucos. Eram os mais divertidos pois podíamos ver o quão acanhado e introvertido Fitz é quando está com a Moli.
Em suma, foi um livro que gostei bastante, sem dúvida, mas que não conseguiu superar o seu antecessor. Agora mais três para acabar a saga e pelo que vejo nas capas, consigo prever que vão haver uns quantos dragões à mistura. Robin Hobb ataca-nos mais uma vez com a sua escrita descritiva e com pouco diálogo mas que se revela rica e interessante com os seus constantes monólogos interiores. Estou ansioso pelos próximos!

8 estrelas, Excede as Expectativas

Até à próxima e... boas leituras!

Sunday, 10 March 2013

20 Coisas Que Eu Odeio (Versão Literária!) - Tag #4

Mais uma tag e, mais uma vez, vem adaptada do Youtube só que desta vez não vem da comunidade booktube mas sim de todas as comunidades, eu simplesmente me limitei a adaptá-la para a versão literária. No que consiste esta tag? Muito simples: basta dizer 20 coisas que odiamos (relacionadas, obviamente, com literatura e livros). Aqui vamos nós.

O melhor livro, tipo, de sempre

(Spoilers: vão ver muitas vezes a saga Twilight como exemplo)

1- Quando a personagem principal não faz nada o livro todo.
Uma personagem para ser principal tem de ser uma personagem activa que participa na maior parte de toda a acção. Agora, quando a personagem principal não faz nada e espera que os outros façam o resto, simplesmente não consigo aturar essa personagem. Exemplo óbvio: Bella da saga Twilight que é transportada de um lado para o outro pelo seu namorado, não faz nada os livros todos e quando há uma luta ou faz asneira ou fica a olhar.

2- Triângulos amorosos.
Ao contrário do que muita gente pensa, um triângulo amoroso não é fácil de se fazer e creio que é por isso que o mercado literário se encontra infestado com livros de triângulos amorosos (t.a.) horríveis e de meter dó. Para um t.a. ser bom tem de haver muito jogo psicológico e não pode ser evidente logo à primeira vista. Um exemplo de um bom t.a. é no HP em que ao longo da saga vemos um t.a. bastante dissimulado (Ginny-Harry-Cho) e um mau exemplo de um t.a. é, again, na saga Twilight em que nos esfregam na cara durante quatro livros um t.a. horrível entre o Edward, a Bella e o Jacob. Assim sendo, eu não odeio completamente os t.a., simplesmente os que são mal feitos (a maioria).

3- Quando a premissa do livro é esquecida para dar lugar a um romance remeloso.
Mais uma vez, adivinhem o exemplo. Twilight. Vampiros? So far so good. Lobisomens? Even better. Uma guerra entre duas raças mitológicas e brutais? Quero ler esse livro! E depois começamos a ler a saga e vemos espalhado ao longo de 400 páginas por livro um romance horrível, controlador e psicótico que faz o aspecto fantástico da guerra cair por água abaixo. Podia ter funcionado tão bem mas acabou tão mal...

4- Twists que o autor pensa que são excelentes mas que são uma grande porcaria.
"My milkshake brings all the boys to the yard
and they're like: 'it's better than yours',
and damn right, it's better than yours!
I could teach you, but I'd have to charge."
Depois de tantos anos e depois de tantos livros publicados é quase (se não é mesmo) impossível ter uma ideia completamente original por duas razões: já foi tudo feito ou a nossa ideia é tão diferente e revolucionária que repulsa os leitores. Por isso é normal que os autores da era contemporânea decidam dar os seus twists a velhas ideias. E isto pode resultar muito bem (como no caso dos livros da Jackson Pearce que pegou em contos de fadas e deu-lhes um twist mais sombrio) ou muito mal como, claro, no Twilight em que a senhora Stwphanie decidiu pegar nos vampiros (seres muito bem conhecidos entre todos) e pô-los a brilhar ao sol e fê-los vegetarianos. Não resultou.

5- Frases curtas e pequenas.
Uma das piores coisas que pode acontecer num livro é quando é todo escrito com frase pequenas e curtas. Não sei o que passa pela cabeça dos autores mas quando isto acontece, faz com que o livro pareça estúpido. Exemplo (e desta vez não é o Twilight): "Ele corria pelo corredor. Sentia a alcatifa macia debaixo dos pés. Os homens com os gorros corriam atrás deles. Os olhos não se viam." Que raio?! Não podia ficar tudo numa só frase? "Ele corria pelo corredor sentindo debaixo dos pés a alcatifa macia e ouvindo os passos abafados dos homens que corriam atrás dele, os gorros lançando sombras que escondiam os olhos". Muito melhor, não acham?

6- Pontos de exclamação durante uma descrição.
Juntamente com as frases pequenas, isto é também das piores coisas que um livro pode ter e quando os dois se juntam o livro vai parar ao "monte-de-jornais-para-acender-a-lareira". Não suporto ver pontos de exclamação na descrição porque parece que força uma ideia no leitor e faz com que o livro pareça infantil. Exemplo: "Olhou em volta e na parede estava um quadro azul!" Qual é a ideia? Não podia ficar lá um ponto final. E, se querem saber, já vi as frases pequenas e os pontos de exclamação num só livro: "O Espião Português" de Nuno Nepomuceno, vencedor do concurso Book.it de 2012.

7- Quando os autores fazem as personagens fazer coisas infantis.
Se as personagens são adolescentes ou adultas, porque razão estão elas a deitar a língua de fora a outras pessoas? Alguém me esclareça.

8- Personagens bipolares.
Uma perfeita descrição do Edward Cullen
Quando leio livros com personagens que estão constantemente a mudar de sentimentos penso que o autor estava bastante indeciso quando estava a escrever. Um exemplo perfeito é o Edward da saga Twilight (duh) que pode estar a sorrir muito feliz mas ai da Bella que se atreva a tocá-lo na mão! O Edward passa-se e ainda se transforma em purpurina!

9- Descrição em demasia.
Isto é um grande problema porque podem afastar muitos leitores. Há leitores (e este é o meu caso) que começam a ficar confusos quando o autor descreve demasiado um local ou coisa. Quando se põe a descrever tudo pormenor, eu fico perdido. Deixei os leitores imaginar certas coisas por si mesmos, não é preciso estar a dizer que a brisa fazia o mar ondular levemente, todos sabem que isso acontece.

10- Quando não dizem quem está a falar.
Para os autores que fazem isto, dou-vos já a dica de que, depois de uma fala, convém dizer quem é que a disse porque quando põe uma página cheia de diálogo e não referem quem fala, isso pode confundir os leitores. Tudo bem quando estão apenas duas personagens a falar, mas se há mais do que duas, nós, os leitores, não somos videntes para adivinhar quem é que está a falar de entre três ou mais personagens.

11- Capítulos muito curtos e capítulos muito grandes.
Para mim (e isto varia de pessoa para pessoa) um capítulo deve ter entre 10 a 20 páginas. Menos do que isso é ridiculamente pequeno e faz o livro parecer simples e infantil, mais do que isso é ridiculamente grande e cansa o leitor por duas razões: todos nós adoramos o sentimento de acabar um capítulo e todos gostamos de parar de ler no início de um capítulo (parar a meio de um faz com que me esqueça do que se está a passar).

12- Quando o enredo anda em círculos.
A pior frase que alguém pode pôr num livro é "Voltamos à estaca zero" porque quando isto aparece sabemos que as 200 páginas que acabámos de ler não serviram para nada e as 200 páginas que se vão seguir vão ser basicamente uma repetição das que acabámos de ler e parece que os autores fazem isto só para fazer os livros maiores de maneira a parecerem mais inteligentes. É ridículo.

13- Quando as personagens têm nomes impronunciáveis e ridículos.
"Que nome hei-de dar a esta personagem? Já sei! Vai-se chamar Tgreingagttuangiao'agiangianfi Taarhsdvnshbfgpsahf. E a esta? Tive uma ideia! Vou fechar os olhos e carregar em letras ao calhas e tada! Já está. Vai-se chamar Uiddggkhgfswnaf849162541dghji327rjnhssfn. Perfeito."
É preciso explicações?

14- Quando as capas não combinam com a história.
Isto é o que eu penso que se passa na cabeça dos designers das capas quando estão a fazer uma capa para um livro: "Ora bem então este livro é sobre uma rapariga que consegue ler os pensamentos das outras pessoas e subitamente é raptada por uma corporação malvada. Bora pôr uma gaja num vestido enorme e com um ar deprimido. Acho que isso resume muito bem o que se passa neste livro." E aqui está explicado o processo produtivo que ocorre aquando do design de uma capa.

15- Quando a meio de uma saga decidem, sabe-se lá porquê, mudar a capa because why not?
Some men just want to watch the world burn
Estamos nós muito bem a ler o 6º livro numa saga quando vamos à net e o que é que descobrimos? O 7º está para sair e foi revelada a capa. E adivinhem o que acontece. A capa não tem nada a ver e fizeram novas capas para os outros livros because fuck you, that's why. E agora vais ter 6 livros em tom de preto na tua estante e depois um 7º rosa choque que combina maravilhosamente com os outros livros.

16- Erros.
Não os suporto. Se um livro foi publicado é porque passou pelas mãos de um revisor e portanto todos os erros tipográficos devem ter sido eliminados. Mas não, vamos deixar os leitores jogar ao jogo "encontra o erro" porque faz a leitura muito mais divertida. Se não conseguem detectar os erros só a ler então copiem o livro para o Word porque, caso não sabem, há um verificador de ortografia que vos podia dar um jeitanço.

17- Quando o autor troca personagens.
No primeiro livro foi a personagem A que matou a personagem B mas no segundo vamos fazer com que tenha sido a personagem C só para confundir os leitores um bocadinho.

18- Quando os autores não querem usar asneiras e por isso arranjam palavras "substitutas" e ridículas.
Então temos a personagem principal que é um anjinho e depois a antagonista. Agora temos aqui um diálogo maravilhoso entre a personagem principal e um amigo: "-O que achas dela? - Pergunta o amigo. - Eu acho que é uma dama que vai à noite para a esquina vender o corpo a homens desesperados".
Porque escrever "prostituta" (ou o equivalente em calão "p**a") is too mainstream.

19- Quando ninguém morre.
Life's a bitch e todos sabemos portanto se vais pôr as personagens no meio de uma guerra é simplesmente demasiado ridículo que nenhuma delas morra. Autores, não tenham medo de matar personagens. As mortes são fantásticos plot twists e toda a gente gosta delas.

20- Finais inconclusivos.
Se o livro é um stand-allone (ah! ah! forever alone!) ou o último de uma saga, por favor dêem-lhe um final decente em que todas as pontas estão atadas porque se isso não acontece parece que aquele fim é apenas um intervalo num filme e os leitores ficam frustrados e atiram o livro para o "monte-de-jornais-para-acender-a-lareira".

Estas são 20 coisas que eu simplesmente odeio na literatura. Digam-me quais as coisas que não suportam num livro nos comentários ou façam um post no vosso blog. Não vou passar a tag a ninguém em concreto (*cof*Fiacha*cof*Maria Rita*cof*Mónica*cof*) portanto passo a tag a todos vocês! :)

Até à próxima e... boas leituras!

the end.

Friday, 1 March 2013

O Triunfo dos Porcos - Opinião

"Os animais lá fora olharam dos porcos para os homens;
dos homens para os porcos e
de novo dos porcos para os homens
mas já não havia qualquer diferença"

Sinopse:

Publicado pela primeira vez em 1945, O Triunfo dos Porcos transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.

Opinião:
Já tinha ouvido falar deste livro inúmeras vezes e sabia que era um clássico americano muitas vezes lido nas escolas dos EUA e por isso quando me deparei com ele na biblioteca da minha escola, decidi lê-lo. Devo dizer que esta tradução do título (o título original é "Animal Farm" o que faz muito mais sentido depois de ler o livro) e a capa (que é ridícula mas que também faz sentido depois de ler o livro) me deixaram um pouco desapontado mas visto que é um livro pequeno, lá o requisitei.
Confusos com o excerto que coloquei em cima e com a sinopse? Nada temam! Eu estou aqui para vos salvar. O excerto que está ali no topo é, na verdade, o último parágrafo do livro. Agora não entrem em pânico por causa dos spoilers porque aviso-vos que neste livro, a história nada interessa. A mensagem que transmite é mais importante. E para aqueles que entram neste livro sem qualquer ideia do porquê de ter sido escrito ou sem saber a mensagem, vai sair dele muito confuso e zangado porque, resumo simples, este livro conta a história de uns animais de uma quinta que, aparentemente, conseguem falar e que se revoltam e expulsam os humanos da quinta e tomam conta dela. Mas de entre todos estes animais, os mais respeitados são os porcos que são considerados mais inteligentes e com mais espírito de liderança e depois do mais velho e sábio porco ter apelado a uma revolta por parte dos animais e de ter morrido, dois porcos, Snowball e Napoleão (percebem agora o chapéu do porco na capa?), assumem o controlo. Major, o tal porco sábio que morre, diz que os animais são escravos e subjugados à vontade dos Homens e que estes devem ser eliminados e toda a Inglaterra deve passar a ser governada pelos animais. No entanto as coisas não correm da melhor forma.
Este é um livro que deve ser lido tendo em conta a sua mensagem porque é, sem sombra de dúvida, uma crítica directa e uma sátira ao comunismo. É uma oposição ao regime de Stalin cujo governo atingia o seu apogeu aquando da escrita e publicação deste livro. Ao longo de "O Triunfo dos Porcos", vemos a ascensão destes animais que seguem Napoleão e Snowball (que mais tarde é derrotado por Napoleão) e o quão ignorantes eles são. Boxer, um cavalo, tem duas máximas que ele segue: "Eu trabalharei mais" e "Napoleão tem sempre razão" e por todas as coisas que Napoleão (ou Squealler, o seu porta-voz) desminta e por todas as mentiras que ele diz, os animais seguem-no sempre. No início os animais escrevem uns mandamentos que resumem a teoria do Animalismo (em que os animais são superiores) mas para os animais mais ignorantes, estes mandamentos são reduzidos para uma máxima: "quatro patas bom, duas patas mau", ou seja, aqueles que têm 4 patas (os animais) são amigos, os que têm 2 (Humanos) são inimigos. Dois dos mandamentos são "nenhum animal deve dormir numa cama" e "nenhum animal deve beber álcool" mas como os porcos são corruptos e mentirosos, os mandamentos são "alterados" para "nenhum animal deve dormir numa cama com lençóis" e "nenhum animal deve beber álcool em excesso" após eles começarem a praticar estas acções.
Resumindo, um livro excelente e que serve como uma crítica perfeita ao comunismo e aos factores que fazem com que esta política não funcione. Recomendo: é uma leitura curta, interessante e que no entretém. 8 estrelas em 10, um Excede as Expectativas.

Até à próxima e... boas leituras!

Saturday, 16 February 2013

O Festim dos Corvos - Opinião

(SPOILERS NA SINOPSE. PARA QUEM AINDA NÃO LEU NEM O 6º NEM O 7º LIVROS DA SÉRIE, SALTEM PARA A OPINIÃO E EVITEM A SINOPSE!!!)
Sinopse:
Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?

Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannisters e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem desprovido de honra. Ou não será bem assim?

Opinião:
Vamos tentar fazer isto spoiler-free. Escusado será dizer que é uma missão quase impossível visto que este é o oitavo livro da série (em Portugal) ou quarto (na edição original) e as coisas começaram a evoluir tanto que é praticamente impossível não dizer um spoiler. Mas vamos tentar.
Este livro é basicamente o rescaldo do que aconteceu no anterior (aquele em que as coisas começam mesmo a ficar negras e onde morre uma cambada de gente) e portanto é mais lento quando comparado com o seu antecessor. Não há tantas reviravoltas nem batalhas ou cenas de acção. Mas digo uma coisa que provavelmente vai ferir a sensibilidade de muitos fãs da série: gostei mais deste livro do que de qualquer outro na série. Agora, antes que comecem a ficar malucos e a escrever comentários negativos, eu explico porquê: os primeiros dois foram quase uma leitura escusada visto que os li depois de ver a primeira temporada, os dois seguintes não tiveram muita acção mas foram bons mesmo assim. A seguir vieram "A Tormenta de Espadas" e "A Glória dos Traidores" e, supostamente, estes são os melhores porque toda a gente morre mas eu não apreciei muito estes porque levei com spoilers a toda a hora do que acontecia nestes livros e portanto para aqueles que ainda não acabaram a série dou-vos alguns conselhos: nunca vão ao anexo do livro que estão a ler porque podem levar com spoilers, tentem ir aos anexos do livro anterior; NÃO LEIAM NADA que seja relacionado com a série, seja posts no Facebook ou opiniões que não tenham um aviso prévio de anti-spoilers nem leiam os comentários de qualquer vídeo relacionado com a série. É que primeiro fui ver o anexo da "A Glória dos Traidores" e descobri o que acontece entre a Sansa e o Tyrion, depois descobri quem morria.
Neste livro não tive spoilers e por isso a leitura foi muito mais interessante. Gostei bastante dos novos POV's introduzidos mas fiquei um pouco receoso porque há um ou dois POV's de personagens que acabam por ser "esquecidas". No início fiquei desiludido por ver que as minhas personagens favoritas não tinham direito a POV neste livro (Tyrion, Daenerys, Jon, etc.) mas depois descobri que o "A Dance With Dragons" e "A Feast For Crows" eram suposto ser um só livro mas foram divididos geograficamente e por isso neste livro temos direito a POV's de personagens como Asha Greyjoy, Brienne de Tarth, Victarion Greyjoy, Aeron Greyjoy, Cersei Lannister, Jaime Lannister, Samwell Tarly, Sansa Stark (ou Alayne Stone), Arys Oakheart e Arianne Martell.
Gostei de todos os POV's e no início fiquei um pouco apreensivo quanto aos dos Greyjoy porque nunca gostei muito deles e o de Aeron "Cabelo-Molhado" Greyjoy foi um pouco aborrecido. De resto todos foram interessantes excepto os de Brienne que foram um pouco frustrantes visto que ela anda à procura de alguém que nós sabemos onde está mas ela não e portanto às vezes apetece gritar para o livro. Adorei os de Samwell Tarly: gostei do rumo que a sua história está a tomar e fiquei curioso por mais. Claro que também adorei os da Arya visto que foram bastante macabros e também interessantes mas ao mesmo tempo emocionais. Os de Cersei foram talvez os melhores visto que ela é uma personagem que adoramos odiar e portanto ler o que lhe passa na cabeça foi interessante pois temos direito a uma perspectiva diferente. Os que se passavam em Dorne foram um pouco aborrecidos mas mesmo assim agradáveis. Mas a minha personagem favorita foi mesmo Sansa Stark que apenas teve direito a dois capítulos: um sob o nome de Sansa Stark e outro com o nome Alayne Stone. Gostei bastante dela porque vemos que ela evoluiu quando comparamos o que ela foi no início com o que é agora e a diferença de nomes adiciona um toque curioso pois no capítulo sob o nome Sansa Stark vemos como ela era, a verdadeira Sansa, mas no capítulo da Alayne Stone vemo-la debaixo de uma máscara que é forçada a usar.
A escrita, como sempre, é brilhante o que seria de esperar vindo de Martin. Descritiva mas não até ao ponto de ser aborrecida, e bastante carregada de acção.
Agora estou, sem dúvida, ansioso para os próximos livros, vou é tentar evitar spoilers ao máximo.

Até à próxima e... boas leituras!