Saturday, 1 December 2012

A minha experiência com o NaNoWriMo 2012

Como referi no post anterior, este ano decidi lançar-me para o NaNoWriMo e quis escrever 50000 palavras durante o mês de Novembro, e, mais uma vez, como disse no post anterior, consegui com 50018 (51194 segundo o site oficial do evento). Mas neste post vou contar tudo sobre a minha experiência (inclusive vou falar do meu "livro").
O meu falhanço ao longo do mês

Este é, na verdade, o meu segundo ano. Em 2011 também "participei" mas talvez por falta de paciência ou simplesmente devido à minha fraca memória, no 5º dia do mês deixei para trás e fiquei com cerca de 5000 palavras. Mas este ano decidi que ia chegar ao fim, com as 50000 palavras escritas ou não, mas ia participar. Decidi logo no início que ia escrever as minhas 1667 palavras assim que chegasse a casa, antes de ir à Internet ou de fazer os trabalhos de casa. Como é óbvio, isso não aconteceu.
Quase todos os dias chegava a casa às 17:10, ia para o computador onde ficava a ver vídeos no Youtube até às 19:30, ia jantar e às 20:30 começava a entrar em pânico pois tinha de escrever as 1667 palavras até às dez da noite. Mas quase sempre consegui (quase nunca) e devido ao curto espaço de tempo que tinha para escrever, o livro saiu horrivelmente mal escrito (ainda tenho pesadelos com isso). Houve, claro, dias em que nem uma palavra foi escrita e depois, durante fins de semanas frustrantes, escrevia 4000 palavras seguidas para compensar o que não tinha escrito. Como podem ver pela imagem ao lado, falhei miseravelmente ao longo do mês. A linha oblíqua que passa pelo gráfico representa as palavras que devia ter nesse dia, sendo que as barras representam as palavras que tinha eventualmente escrito. Vêm, obviamente, que em nenhum (ou quase nenhum) dia as minhas barras tocar na linha oblíqua. Vêm também que há, por vezes, barras seguidas com a mesma altura, o que significa que nesses dias não escrevi nada. Houve também dias em que não escrevi mas disse ao site do NaNoWriMo que sim, que tinha escrito.
Foi, ao longo do mês, um falhanço enorme, mas no final venci e consegui. Antes de começar a falar sobre o livro que escrevi, deixem-me deixar algumas dicas aos que querem participar, eventualmente, num destes eventos:
  • Não passem um dia sem escrever (pode ser difícil mas tentem sempre). (Óbvio que eu não segui esta dica)
  • Não mintam ao site porque depois vão-se arrepender, e muito. (Óbvio que eu não segui esta dica)
  • Tentem ficar sempre acima do mínimo diário para o caso de algum dia não poderem escrever. (Óbvio que eu não segui esta dica)
  • Tentem escrever bastante nos primeiros dias porque é quando nos sentimos mais entusiasmados para escrever e as palavras jorram aos milhares. E também porque as primeiras palavras são sempre mais fáceis de escrever. (Óbvio que eu não segui esta dica)
  • Se começaram a escrever um livro, não desistam. Mesmo que não estejam a gostar de o escrever, continuem porque é difícil, bastante difícil, começar outro livro quando só se tem 30 dias. (Também não segui esta dica porque comecei com um chamado "Vortex" de FC mas felizmente tinha este já com 5000 palavras escritas e pude mudar a tempo)
  • Não se preocupem com a vossa escrita. Estavam mesmo à espera de chegar ao fim com um livro merecedor do Nobel da Literatura? A vossa escrita vai ser uma porcaria (desculpem a expressão) mas se querem publicar o vosso livro do NaNoWriMo depois vão ter de o reescrever eventualmente. (Esta eu segui)
  • Se estiverem numa parte do livro enfadonha e não conseguem escrever, saltem para uma parte emocionante para vos obrigar a deitar palavras no ecrã. Não há problema em saltarem do início para o fim ou para o meio, o que interessa é que escrevam. (Esta eu também segui)
Estas são as minhas dicas para os que querem participar em 2013. Outra dica que posso mencionar é escreverem algo fora da vossa zona de conforto, algo que nunca escreveram antes, para vos treinar nesse género. Eu, que sou fã de fantasia, quis escrever FC e obviamente não resultou, mas para o ano vou tentar um Romance daqueles tipo YA (young adult).
Agora passemos ao meu livro. Como podem ver pela imagem acima, chama-se "O Poder das Trevas" e é um livro que ando a trabalhar desde o início do Verão. Tudo começou depois de tentar escrever mais uma cópia barata do GOT e, frustrado, parei de escrever. Decidi então reler um livro que para aqui tenho sobre mitos e lendas para crianças e fiquei apaixonado pela mitologia Greco-Romana e pela Nórdica. Decidi então criar a minha própria mitologia, com os Deuses e os heróis e as lendas e tudo o resto. A partir daí nasceu Erithios. Erithios é um dos reinos existentes no meu livro, e no início era para ser habitado por Humanos. Mas depois pensei que isso era muito simples e quis introduzir raças e espécies diferentes, criar um mundo de raiz. Após conversas com amigos, cheguei à conclusão que não devia popular o meu mundo com seres tipo J.R.R. Tolkien (Ellfos, Anões, etc.), devia sim criar os meus próprios. E aí nasceram as 5 raças de Erithios: os noriathi, os bandaernos, os argonianos, os mondarghi e os enduanos.
Um dos muitos "crachás" que dão
aos vencedores. Também dão um
diploma para imprimir!
Comecei a escrever este livro mais ou menos em Setembro e cheguei a uma parte em que me vi forçado a desenhar um mapa de Erithios para me orientar. E assim foi. E sendo este reino uma grande ilha (obviamente), inspirei-me em Portugal e chamei ao oceano que os rodeava Mar Tenebroso pois nunca ninguém tinha passado para além desse mar. Mas o que havia para além do Mar Tenebroso? Um novo reino. E nasceu Allorus. Um reino habitado por Humanos e o berço dos argonianos que habitam Erithios (está tudo relacionado, acreditem. Eu criei uma história mundial e tudo). Mas ainda não estava satisfeito. Por isso fiz Argor, um terceiro reino, mais pequeno, apenas uma ilha localizada a nordeste de Erithios que sabe da existência deste último reino mas não de Allorus.
Mas Erithios é peculiar pois o seu sistema monárquico apenas aceita Rainhas e não Reis e o povo deste reino crê nos Deuses da morte e da destruição, etc (daí o título do livro). E, além disso, em Erithios apenas existem duas estações: Verão e Inverno. Ambos podem durar um tempo indefinido e quando acaba um, começa logo o outro sem haver qualquer estação no meio. Mas o que realmente marca a diferença de uma para a outra não é o frio mas sim a Criatura. A Criatura é um ser que desce das Montanhas de Boltangar no norte para espalhar a morte e a destruição juntamente com o seu exército, os Espectros. Existe, no entanto, um clã de argonianas que acreditam na Criatura como o verdadeiro Deus. Argor é um reino bastante religioso onde habitam noriathi, bandaernos e argonianos que rezam ao Deus do Mar, Bastheron. Por fim Allorus tem outra religião, mas não é tão importante para eles como o Rei.
O livro encontra-se dividido em POV's (point of view ou pontos de vista), sendo que cada "capítulo" é contado pelos olhos de uma personagem diferente. Eis as personagens POV:

Em Erithios                              Em Allorus                                  Em Argor
Normon (noriathi)                      Patryk (príncipe do reino)              Torn (argoniano)
Eric (mondarg)                           Myra
Araethya (argoniana)

A história desenrola-se em volta destas personagens sendo que as suas histórias estão todas, directa ou indirectamente, relacionadas. Normon é um membro da Ordem de Boltangar cujo principal objectivo é treinar seres do sexo masculino na Dádiva para poderem proteger o reino da Criatura e do clã que a adora. Eric é um assassino enviado pela Rainha para matar Lorde Geormund Racelin que pretende casar-se com a Suma-Sacerdotisa da Ordem da Ilha para, juntos, tomarem o poder do trono. Araethya é uma jovem argoniana da Ordem da Ilha que está a ser treinada na Dádiva (a história dela é mais emocionante do que apenas isso). Patryk é o príncipe de Allorus e encontra-se em viagem para Erithios (um reino descoberto recentemente) para poder estabelecer contacto com a Rainha. Myra é uma jovem órfã em busca de vingança pela morte do pai. Torn é um membro da Religião de Bastheron que prepara uma guerra contra Erithios e os seus falsos Deuses.
"Capa" do "livro"
Há muito mais para contar sobre a minha experiência no NaNoWriMo e sobre o meu livro (qualquer pergunta eu estou disposto a responder). Se aconselho o NaNoWriMo? Sem dúvida. Mesmo para aqueles que não ambicionam ser escritores mas que gostam de deitar umas palavras aqui e ali, o NaNoWriMo é uma boa hipótese para treinar esse hobby. Se alguma vez pensei em desistir? Claro, principalmente no início desta semana quando tinha cerca de 38000 palavras e tinha de chegar às 50000 até sexta-feira. Se gostei? Sim, gostei, apesar de ser bastante stressante e de ter tido muitos momentos de pânico. Se vou participar para o ano? Claro...

Até à próxima e... boas leituras
Vemo-nos no NaNoWriMo 2013 :)

NaNoWriMo 2012

Este ano decidi lançar-me ao desafio e participei no NaNoWrimo que, para os que não sabem, significa "National Novel Writing Month" (que traduz para algo do género: "Mês Nacional de Escrita de Livros") e é uma espécie de concurso, mais um desafio, para jovens autores que querem escrever sobre grande stress. O conceito básico é que os participantes têm de escrever 50000 palavras durante o mês de Novembro, ou seja, durante 30 dias, o que dá uma média de 1667 palavras por dia (algo bastante difícil de conseguir). Mas, após vários dias de stress, várias noites sem dormir, inúmeras chávenas de chá e vídeos de gatos no Youtube para descontrair, o mês de Novembro chegou ao fim e com ele acabou o NaNoWriMo de 2012.Sim, eu participei, e sim, eu consegui acabar o desafio com 50018 palavras (apesar de o site do NaNoWriMo afirmar que escrevi 51194 palavras) mas apenas com muitos momentos de pânico e pensamentos de desistência, com momentos de vitória e dias de derrota, fins-de-semanas gastos em frente do computador e trabalhos de casa por fazer. Mas consegui.O NaNoWriMo surgiu em 1999 em São Francisco, nos EUA, durante o mês de Julho e com apenas 21 participantes. Ao longo dos anos evoluiu e transferiu-se para Novembro, chegando ao ano de 2012, deixando de ser a nível nacional e passando a mundial, com cerca de 300000 participantes que escreveram no total 3288976325 palavras.Para aqueles que se questionam sobre se o NaNoWriMo realmente funciona em termos de escrita de verdadeiros livros e não apenas textos enormes e sem nexo, eis a minha resposta: sim, o NaNoWriMo realmente funciona e para aqueles que querem participar e acreditam que vão chegar ao fim com um livro pronto a publicar, enganam-se. O que o NaNoWriMo faz é permitir que jovens escritores escrevam uma espécie de rascunho do que poderá vir a ser um livro publicado. Muito trabalho tem de vir depois de Novembro se queremos ver o nosso livro nas prateleiras. Exemplos de livros de sucesso e bestsellers que originalmente nasceram no NaNoWriMo incluem "Cinder" de Marissa Meyer publicado em Portugal pela Editora Planeta, "The Night Circus" de Erin Morgenstern publicado em Portugal pela Livraria Civilização Editora sob o título "O Circo dos Sonhos" e o famoso "Water for Elephants" de Sara Gruen publicado pela Difel em Portugal com o nome "Água aos Elefantes". Outros autores hoje em dia conhecidos começaram a sua carreira a escrever no NaNoWriMo (como a Jackson Pearce, autora de Sisters Red e Sweetly).Como podem ver, o NaNoWriMo é algo perfeito para aqueles que sonham em ser escritores ou para aqueles que simplesmente gostam de escrever.Aqui podem ver outro post sobre a minha experiência no NaNoWriMo:
http://nomnomlivros.blogspot.pt/2012/12/a-minha-experiencia-com-o-nanowrimo-2012.html

Monday, 26 November 2012

Debate #3: A Fantasia e outros géneros (e um pequeno update)

Comecemos pelo pequeno update. Não tenho publicado nada aqui por três simples razões: primeiro porque comecei o secundário este ano e por isso está a ser um pouco complicado com os testes e tudo isso, segundo porque estou a fazer (ou a tentar fazer) o NaNoWriMo este ano (vou publicar um post no fim do mês sobre isto), e terceiro porque me encontro num "reading slump" o que dignifica basicamente que não consigo ler. Não porque os livros que estou actualmente estou a "ler" não me atraem (aliás, os livros que estou a ler estão a ser excelentes) mas porque não consigo ter iniciativa para ler e não estou a conseguir concentrar-me na leitura. Espero poder sair deste "reading slump" dentro em breve...
Agora para o debate que desta vez está relacionado com os géneros literários. Como todos sabemos existem dezenas de géneros literários: romance, acção, fantasia, ficção, ficção-científica, dystopian, contemporâneo, etc. Mas a questão que vos coloco é: qual o vosso género favorito? Qual aquele que vos atrai? Quando entram numa livraria qual é a secção que procuram imediatamente?
A minha resposta para a primeira pergunta é, sem dúvida, a fantasia. Sempre adorei este género pois, creio, sempre fui criado a ler livros de fantasia (começando pelo famoso Harry Potter de leitura obrigatória e passando pelo ASOIAF que também é de leitura obrigatória). Mas felizmente há cerca de um ano atrás a minha mente expandiu e descobri que a fantasia não é apenas feitiços a sair de varinhas e bastões nem dragões a voar de um lado para o outro. A fantasia é um género complexo e difícil de compreender e, na minha opinião, este género resulta da mistura de muitos outros. Primeiro porque não há um livro de fantasia que não tenha pelo menos uma relação (seja ela amorosa ou apenas de amizade) e isso inclui logo o romance. Depois há sempre conflito entre personagens (vejamos o caso do ASOIAF) e isso inclui o género do drama. A seguir temos quase sempre um mistério, uma intriga, mesmo que não esteja à frente do nariz e este elemento quase nunca é o elemento central da história, o que coloca logo o mistério e talvez um pouco de policial. Os exemplos podiam continuar a jorrar (há literatura erótica nos livros de high-fantasy e mais uma vez cito o ASOIAF, o género steampunk e lanço para o mundo o livro "Prelúdio" de Anton Stark que é uma mistura de fantasia e steampunk, etc.)
Mas pedindo mais uma vez a vossa opinião, qual o vosso género e porquê? Por que é que esse género vos atrai tanto?

Até à próxima e... boas leituras!

P.S.: o meu segundo género preferido (se é que pode haver tal coisa) é o romance e digam o que quiserem mas isso não vai mudar nada. Mas atenção que quando digo romance não falo de Nicholas Sparks nem de Norah Roberts nem coisas desse género. Falo de romances com intrigas ou mistérios ou outros elementos interessantes como é o caso de Joanne Harris ou John Green, etc.

Tuesday, 30 October 2012

Aprendiz de Assassino - Opinião

"No mercado populado da fantasia, os livros de Robin Hobb
são diamantes num mar de zircões. Toda a fantasia
devia ser assim..."
George R.R. Martin


Mais uma publicação, que se insere no género do fantástico, pela Saída de Emergência que conta com uma já vasta colecção de livros deste género na sua Colecção Bang! Desta vez vou dar a conhecer a minha opinião sobre um dos livros mais fantásticos que já li. Aprendiz de Assassino de Robin Hobb, cujo título original é Assassin's Apprentice, sendo que Robin Hobb é um pseudónimo para a autora Margaret Ogden.
O livro "Aprendiz de Assassino" inicia o leitor numa aventura que toma cinco volumes já publicados em Portugal mais cinco que contam o que acontece após o início de todos os acontecimentos. Seguimos a história de FitzCavalaria Visionário, filho bastardo de Cavalaria, o príncipe herdeiro dos Seis Ducados (reino onde a história toma lugar) que acaba por renunciar ao trono para, supostamente, afastar os olhares daqueles que lhe querem mal do seu único filho. Fitz chega a Torre do Cervo, casa da família real, ainda em criança e pouco se lembra desses tempos. Rapidamente desenvolve um bom relacionamento com Castro, o mestre dos estábulos, que prontamente o inicia na arte do cuidado com os animais. Assim, Fitz segue uma vida pacata, tratando de éguas e cavalo, cães e cadelas. Até que o Rei Sagaz o entrega a Breu, um homem misterioso de que muito poucos têm conhecimento. E é então que a vida de Fitz muda de rumo já que Breu é o "assassino pessoal" de Sagaz, aquele que afasta os indesejados ou os obstáculos para o rei. Fitz começa a aprender a fazer venenos e poções, aprende mil e uma maneiras de matar um homem silenciosamente e passa a conhecer todas as ervas que eventualmente levam à morte. Até que é lançado na sua primeira missão é escapa dela quase morto.

Primeiro de tudo tenho de colocar uma questão: por que é que eu nunca tinha lido este livro antes? Lembro-me de à cerca de 3/4 anos atrás ver este livro à venda num supermercado, olhar para ele e ler Robin Hobb. Rapidamente o pousei pois pensava ser um reconto da famosa história do Robin Hood, história que nunca apreciei. Passei então 4 anos na ignorância total. Até me ter sido sugerido diversas vezes que lê-se este livro. Depois de alguma pesquisa descobri que afinal este livro nada tem a ver com o Robin Hood e decidi, na minha visita à Feira do Livro de Lisboa, comprar este livro e a sua sequela, investindo assim cegamente em livros que nem sabia se ia gostar. Rapidamente me desapontei com eles. Após a minha chegada da Feira, lancei-me neste livro pois estava a vê-lo em todo o lado: Facebook, Goodreads, Youtube, etc. E quando cheguei à página 100 desisti. Não gostava da escrita que raramente tinha diálogo, era demasiado descritiva e aborrecida. Não estava a conseguir seguir a história nem sentia empatia pelas personagens. Pus o livro de lado e tentei fazer uma pausa e ler outros livros. Entre esses livros lidos estava "A Glória dos Traidores", um livro massivo do já conhecido George R.R. Martin. Quando acabei esse livro, pensei para mim: "Bem, tenho de ler o 'Aprendiz de Assassino' porque senão gastei 15€" e, contrariado, lá continuei a leitura.
E então, talvez por causa de ter lido "A Glória dos Traidores", talvez por me forçar a ler, descobri que este livro é mais do que maravilhoso. Não conseguia pousá-lo. Cada página que lia deixava-me ansioso pela próxima. Tremia quando Fitz sofria, sorria quando estava ao pé de Moli. Ri às gargalhadas quando aconteciam momentos estranhos (já que Fitz, no livro, está na idade da adolescência) e quase chorei quando Galeno lhe batia. Odiei profundamente Majestoso e ansiei para que Veracidade viesse ajudar Fitz. Rangi os dentes quando Castro virou as costas a Fitz, sorri quando o rapaz conseguiu usar o Talento. Senti uma mistura inigualável de emoções que se abateram sobre mim, levando-me para uma montanha-russa de sentimentos que me atingiam a cada palavra. A escrita que, apesar de bastante descritiva é muito cativante, deixando-nos entrar na mente de Fitz. Finalmente compreendo a paixão que algumas pessoas que conheço sentem por este livro. É simplesmente genial. As reviravoltas que dá com a facilidade de um piscar de olhos, os momentos de perigo e quase morte. Já para não falar que adorei os textos no início de cada capítulo que nos dão a conhecer um pouco mais dos Seis Ducados.
Não sei como continuar a descrever o quão maravilhoso este livro foi. Simplesmente posso dizer que me apaixonei por ele e vou ter uma luta bastante difícil comigo mesmo para ler outros livros em vez da sequela. Só espero que os livros que se seguem sejam tão bons ou melhores que este. Primeiro desilusão, depois paixão. Acho que o ditado está correcto, primeiro estranha-se, depois entranha-se...

5 em 5 estrelas, um Brilhante, isso não há dúvida nenhuma! Para quem ainda não leu este livro, o que estão a fazer?

Até à próxima e... boas leituras!

P.S.: Esqueci-me de mencionar o Bobo, uma personagem bastante interessante e que espero ver mais vezes nos próximos livros.
P.S.S.: Esta opinião está um pouco incompleta (falta mencionar várias coisas como o Talento, o Ferreirinho, os Forjados, os Navios Vermelhos, o Povo da Montanha, etc.) mas esta história é de tal maneira complexa que seria impossível falar de tudo.

Sunday, 21 October 2012

Jantar Literário - Tag #2

A minha segunda tag aqui no blog que, tal como a anterior (Os 7 Pecados Mortais da Leitura) foi adaptada do maravilhoso mundo do booktubing (para aqueles que não sabem, o booktubing é o acto de publicar vídeo sobre livros no Youtube), criada pela booktuber NEHOMAS2 (http://www.youtube.com/user/NEHOMAS2).
Esta tag é bastante simples. Temos de convidar 11 personagens de livros para um jantar formal/informal, seguindo as indicações dadas.

1. Uma personagem que sabe cozinhar ou que gosta de cozinhar.
Uhhh... Fácil. A maravilhosa cozinheira da família Weasley, Molly Weasley. Para aqueles que já leram os livros do Harry Potter, saberão que a Molly é simplesmente uma cozinheira que todos quereriam ter em casa. Só as descrições que a J.K. Rowling faz dos seus cozinhados deixam-me água na boca.

2. Uma personagem que tem dinheiro para financiar a festa.
Esta levou-me algum tempo a decidir, mas acabei por escolher a Cersei Lannister. Por várias razões. Primeiro porque é uma Lannister e todos sabemos que eles são ricos como tudo. Segundo porque seria interessante conhecê-la, uma vez que ela é maluca de todo (e sim, compreendo que ela só é assim porque quer proteger os filhos) e porque a Cersei é a Cersei e isso é desculpa suficiente :)

3. Uma personagem que cause uma "cena".
Não pude escolher apenas uma personagem, mas escolhi em vez disso duas: Fred e George Weasley. Seria impossível separá-los e por isso eles têm de vir juntos. A escolha é óbvia. Besta dizer que são o Fred e o George e está feito. Onde quer que eles vão, algo de grande e espectacular acontece.

4. Uma personagem que é divertida e/ou que entretenha.
Tyrion Lannister, sem dúvida alguma. O seu sarcasmo e humor negro sempre me puseram a rir e com certeza que ele ia entreter muitos convidados com as suas conversas intelectuais. Já para não dizer que seria interessante ver o Tyrion e a Cersei sentados à mesma mesa...

5. Uma personagem que é super social/popular.
Como não conheço nenhuma personagem que seja super social e popular, vou escolher uma que é social e popular à sua maneira. Gandalf. Quer dizer, toda a gente de Middle-Earth ouviu falar dele e, sinceramente, toda a gente do planeta Terra também, por isso a popularidade não é um problema. Quanto ao social, não sei se o Gandalf é muito social, mas com certeza que conversaria com toda a gente.

6. Um vilão.
Fácil. A Rainha Vermelha de "Alice no País das Maravilhas". Primeiro porque ela é uma vilã excepcional. A frase "Off with their heads!" ("Cortem-lhes a cabeça!") ficará sempre na minha memória. E segundo porque ela é bastante cómica e "divertida" à sua maneira. Seria interessante jantar com ela.

7. Um casal (não tem de ser romântico).
Tenho tantas escolhas para este que nem sei por qual me decidir (Ron e Hermione, Peeta e Katniss, Fitz e Moli, Catelyn e Eddard, Robb e Jeyne...). Mas acho que me vou ficar pelo Ron e Hermione. Primeiro porque o Ron é simplesmente cómico e em muitos aspectos parecido comigo (aracnofóbico, introvertido, tem sardas, etc.). Segundo porque a Hermione também adora livros como eu e de certeza que teríamos bastantes conversas interessantes. Terceiro porque é sempre bom conhecer alguém de Hogwarts.

8. Um herói/heroína.
Sem qualquer sombra de dúvida, Kvothe de "O Nome do Vento". Um herói em todos os aspectos, uma personagem real e complexa, inteligente e corajoso. Quem não gostaria de conhecer o jovem e nobre Kvothe?

9. Um personagem pouco apreciada/que não tem um grande papel.
A personagem que vou escolher tem o seu papel no livro onde existe, e não é assim tão pouco apreciada, mas sinto que as restantes personagens lhe tiram o protagonismo. Falo de Luna Lovegood, a minha personagem favorita de toda a série Harry Potter, a Luna tem a mesma personalidade que eu. É introvertida, estranha, curiosa, imaginativa e está sempre com a cabeça na lua. Adorava conhecê-la, simplesmente adorava.

10. Um personagem à tua escolha.
A Arya, sem dúvida uma personagem que não podia faltar a um jantar épico como este. Quem não gostaria de conhecer a Arya? Tudo nela é interessante. Tão nova e já viu e experimentou tanto. É diferente dos outros e não se conforma com o que lhe é dito. Adorava conhecê-la.

Portanto, como podem ver, uma tag baseada bastante nos livros do Harry Potter e das Crónicas de Gelo e Fogo (porque será?). Convido toda a gente a participar porque, acreditem, esta tag vai-vos deixar a pensar durante muito tempo. Deixei muitas personagens de fora, mas só podia escolher onze por isso...

Até à próxima e... boas leituras!

Tuesday, 16 October 2012

A Glória dos Traidores - Opinião


Há algum tempo atrás criei uma secção à qual chamei de "Livros de Opinião Impossível" à qual vão parar os livros que, basicamente, foram de tal maneira espantosos e, deixem passar a expressão, "mind f*ck". E claro, todos os livros das Crónicas de Gelo e Fogo vão parar a esta secção. Bem, e aqui vai mais um. O sexto livro das Crónicas de Gelo e Fogo, parte dois do livro "A Storm of Swords", foi chamado em Portugal de "A Glória dos Traidores", escrito pelo mestre George R.R. Martin. É praticamente escusado fazer uma introdução a este livro já que é praticamente impossível não se saber que livro é, mas mesmo assim, o essencial será dito. Publicado em Portugal pela editora Saída de Emergência, este é o sexto livro da saga que ultimamente tem ganho reconhecimento internacional após a adaptação televisiva dos livros pela HBO que também, por sua vez, tem ganho mais e mais reconhecimento, distribuindo o seu famoso título ("A Game of Thrones") pelos ouvidos e bocas de toda a gente.

Antes da opinião começar, um aviso de SPOILERS PARA TODA A SAGA!!!

Para dar uma breve introdução à saga, vou fazer um pequeno resumo dos livros anteriores.

Após a morte de Jon Arryn, Mão do Rei, o rei Robert Baratheon viaja até Winterfell no Norte para chamar o seu velho amigo, Eddard Stark, para se tornar Mão do Rei. Após ter aceite o cargo, Eddard e as suas duas filhas viajam para Porto Real, sendo que Sansa está destinada a casar com Joffrey Baratheon, "filho" de Robert. Após uma série de eventos e circunstâncias, Eddard é decapitado às mãos do vil e maldoso rei, Joffrey Baratheon. Aqui as coisas complicam-se uma vez que todas as personagens se espalham por todo o mundo, criando  uma teia complexa de história e acontecimentos. Jon Snow, filho bastardo de Eddard, vai para a Muralha onde se junta à Patrulha da Noite. Arya Stark foge de Porto Real e prepara-se para viajar de volta a Winterfell disfarçada de rapaz mas acaba por ser capturada e levada para Harrenhal onde conhece Jaqen H'Ghar e de onde foge até ser encontrada por foras-da-lei ao serviço do Lorde Berric Dondarrion. Catelyn, esposa de Eddard, viaja com o seu filho e agora rei, Robb, para conquistar e tirar o Trono de Ferro a Joffrey. Após uma série de vitórias por parte de Robb, este captura Jaime Lannister que depois Catelyn liberta. Robb casa com Jeyne, traindo assim a aliança com os Frey que depois é reposta com o casamento de Edmure Tully (irmão de Catelyn) com Roslin Frey. Sansa permanece em Porto Real sob as garras de Cersei e Joffrey. Para sua felicidade Joffrey fica de casar com Margaery Tyrell em vez de Sansa e esta apenas pensa em regressar a Winterfell. Daenerys Targaryen, por seu lado, continua em Essos, o outro continente onde, após a morte do seu irmão por parte do marido, Khal Drogo, e da morte deste último, viaja longas distâncias até Qarth após o nascimento dos seus três dragões. De Qarth viaja para as cidades esclavagistas de Astapor, Yunkai e Meereen. Tyrion Lannister após ter lutado ao lado de clãs e mercenários, volta a Porto Real onde é Mão do Rei enquanto o seu pai, Tywin Lannister, continua em guerra. Após um ataque de Stannis Baratheon a Porto Real, Tyrion sofre vários ferimentos e perde a posição de Mão do Rei após o regresso de seu pai, passando assim a ser mestre da moeda. Stannis Baratheon, por sua vez, submete-se a uma nova religião vinda de Essos, uma religião crente em R'Hllor, o Senhor da Luz e, com a ajuda de Melisandre, uma Sacerdotisa Vermelho, tenta conquistar o Trono de Ferro.

Agora para a opinião ao livro com SPOILERS DO SEXTO LIVRO!!!
Primeiros as personagens que conhecemos já há seis livros. Nenhuma delas mudou muito, mantendo os seus aspectos e características anteriores. Arya continua lutadora, mas não passa de uma criança com grandes ambições. Devo dizer que após a reviravolta na sua história, passei a gostar muito mais dos seus capítulos. Daenerys começou a perder algum interesse, uma vez que não lhe acontecia nada, mas após os acontecimentos em Astapor, voltou a ser uma das minhas personagens favoritas e é sempre interessante saber o que se passa do outro lado do mundo. Catelyn continuou a ser a mesma personagem aborrecida de sempre. Certo que tenho de compreender a sua posição como mãe e viúva, mas mesmo assim. Os seus capítulos eram basicamente ela a queixar-se de como todos os filhos estavam mortos (o que não é verdade, estão todos vivos. Quer dizer "agora" com este sexto livro não...) e de como sentia falta do seu querido querido Eddard. Não fazia nada e simplesmente fazia escolhas parvas como a que fez ao libertar Jaime Lannister. Devo dizer que no que toca a Catelyn, fiquei grato pelo Casamento Vermelho. A Sansa nunca me chamou muito à atenção. Os capítulos dela não eram tão aborrecidos como o da mãe, mas mesmo assim não eram divertidos nem interessantes de se ler. Até ao seu (SPOILERS) casamento com Tyrion Lannister. Aí os capítulos dela passaram a ser dos meus favoritos e devo dizer que estou bastante curioso no que toca a ela e a Petyr. Jon sempre foi interessante. A sua viagem e estadia na Muralha nunca fez muito parte da trama central uma vez que a história central gira em volta das guerras entre os reis e em volta do Trono de Ferro. A Muralha é mais como um "sub-plot", uma trama secundária ligada à principal indirectamente. Desde a sua viagem para lá da Muralha, passando pelo seu relacionamento com Ygritte até ao regresso a Castelo Negro parando finalmente na sua nomeação como (SPOILERS) Comandante da Patrulha. Quanto ao Davos Seaworth sempre tive uma relação de amor/ódio com ele. Alguns capítulos dele eram interessantes, outros nem por isso, mas gostei de conhecer Melisandre e a sua religião mais. Agora passemos a Cersei. Cersei é aquela personagem que adoramos odiar. Ela é má e uma víbora em todos os aspectos. Só nos apetece vê-la morta e debaixo do chão. Sempre atrás do seu filhinho, Joffrey (que felizmente (SPOILERS) morreu), apoia todas as decisões do filho. Não gosta de Tyrion nem de Sansa e é pior do que sei lá eu o quê. E o mesmo se aplica a Joffrey, mas, já diz o ditado, quem sai aos seus não degenera. Por fim temos Bran, uma personagem que achei aborrecida desde o início uma vez que não lhe acontecia nada. Os capítulos dele eram basicamente sobre os seus "sonhos verdes" e tinham a palavra "Hodor" mais de cem vezes por cada página. Felizmente creio que as coisas se estão a tornar interessantes para ele após a travessia para o outro lado da Muralha.
Agora aos acontecimentos que tomam lugar neste livro (atenção a SPOILERS para o livro todo). Sempre me disseram que este era o melhor livro da saga e eu sempre estive curioso em lê-lo. Iniciei a leitura do livro com grandes expectativas, esperando acção do início ao fim. O que não aconteceu. No início do livro quase nada acontecia, todos continuavam a sua vida normal, a lutar uns contra os outros. Mas então as coisas começam a ficar interessantes. Primeiro o casamento de Sansa com Tyrion. Dessa eu não estava à espera e até tive de pousar o livro para assimilar as coisas. A seguir a captura de Arya por Sandor Clegane. De início temi por Arya mas depois apercebi-me da relação de amor/ódio entre ambas as personagens.Depois o Casamento Vermelho. Aí é que o jogo vira de sentido. Quando pensamos que tudo corre bem para Robb, que a aliança com os Frey vai se restabelecida, quando achamos que Edmure será para sempre feliz com Roslin e que Robb finalmente tem hipóteses de ganhar a guerra, PUM! George R.R. Martin ataca outra vez com a sua paixão por matar personagens. A cena do Casamento Vermelho é bastante gráfica e quase parecia que estava realmente lá quando aconteceu. E depois vem o casamento de Joffrey. Um grande casamento envolto em muita sorte onde haverá sete músicos a tocar, setenta e sete pratos a ser servidos, centenas de convidados. Quando pensamos que Joffrey irá ganhar tudo e ficará com o trono, PUM! George R.R. Martin ataca outra vez. Mas desta vez para o bom. Joffrey morre finalmente, mas Cersei sobrevive. E, como Cersei é a pessoa que nunca queremos conhecer, acusa Tyrion de regicídio e este vai preso e será condenado. Sansa consegue fugir, apesar de também ser acusada de regicídio. Pensamos que voltará feliz para ao pé da mãe ou para Winterfell o que quer que seja, mas depois descobrimos que é Petyr que a salva. E, como disse anteriormente, estou curioso por saber como essa situação acaba.
Escusado será referir os locais e cenários deste livro que já são por todos conhecidos com excepção de alguns como Yunkai e Meereen que nos livros anteriores não tinham aparecido, assim como os Dedos. E também escusado será referir a escrita de George R.R. Martin que continua tão descritiva e bela como sempre.

Conclusão: sem qualquer sombra de dúvida um 5 em 5 estrelas, Brilhante ou mais do que Brilhante. Na opinião ao quinto livro disse que se pudesse rebentava com a escala. Acho que com este dava um 50 em 5 estrelas. Um "must read", uma leitura obrigatória para todos os fãs de fantasia e mais do que isso porque "As Crónicas de Gelo e Fogo" são mais do que fantasia, são tramas políticos e tramas familiares.

Até à próxima e... boas leituras!

Sunday, 14 October 2012

Um Assassino em Asriad - Conto

Aqui vos apresento um pequeno e humilde conto da minha autoria alusivo à imagem publicada abaixo. Acrescento que esta imagem foi postada originalmente no grupo "O Cantinho do Corvo Fiacha" e que apenas me limitei a escrever o conto em volta da imagem. Bem, aqui fica.


Um Assassino em Asriad

            A neblina cobria o mar como um manto cinzento cobre uma cama. O sol brilhava no céu, acabado de nascer, refletindo a sua luz nas águas pacíficas e aquecendo o pequeno navio que deslizava suavemente no oceano. Joriah tentou ver para lá da neblina, mas apenas uma grande mancha cinzento-escura era visível. O seu cabelo loiro dançava com o vento que soprava forte naquela manhã. O capitão do barco subiu as escadas da sua cabina principal e resmungou qualquer coisa quando viu que Joriah se tinha levantado primeiro do que ele.
            Meia hora depois tinham atracado no porto de Asriad. O dia começava na cidade com os pescadores a chegar a terra e a despejar o pescado em contentores e caixas que depois seriam levados para o mercado. As peixeiras começavam a apregoar, as crianças corriam de um lado para o outro com os pés descalços sobre a pedra fria do porto, as criadas dos grandes senhores e senhoras da cidade traziam o seu pequeno cesto e compravam alimentos para o resto do dia.
            Joriah saboreou tudo aquilo enquanto esperava. Tinham-lhe dito que uma carta com as ordens a cumprir lhe seria entregue de manhã no porto e, por isso, agora só lhe restava esperar. Quando a fome despertou dentro de si, foi comprar duas sardinhas e um pão e comeu sossegado. Enquanto comia, uma criada passou por ele com o seu cesto e na borda havia uma carta. A criada deu uma pequena pancada e a carta caiu no colo de Joriah.
            O jovem mondarghi abriu a carta. Nela lia-se apenas duas frases: “Lorde Garfield. Independentemente do que acontecer, ele tem de desaparecer”. Era o quanto precisava de saber, aquele era o seu alvo.
            Saiu do porto, apreciando a pequena e cómoda cidade. Asriad localizava-se numa colina à beira-mar onde desaguava o rio Jarsmar que serpenteava colina abaixo. As casas tinham sido construídas ao longo da colina, tão perto uma das outras que pareciam caixas amontoadas. Pequenas pontes de pedra e madeira ligavam ruas superiores, pontes essas que tanto serviam de ligação como de habitação. Do outro lado da colina era o bairro rico da cidade, onde as casas eram mais afastadas, onde havia parques e onde o rio era limpo e translúcido, com as grandes mansões e jardins coloridos.
            Enquanto caminhava pelas ruas apinhadas de gente, Joriah foi apanhando pedaços de conversas aqui e ali e rapidamente descobriu que Lorde Garfield era o governador da cidade. E também descobriu que ia dar uma festa para celebrar o seu trigésimo terceiro Ciclo. O número três dá sorte, segundo se diz, e ainda mais sorte é celebrar o trigésimo terceiro Ciclo com Esthia, Elaria e Eria cheias.
            Chegou ao topo da colina. Dali podia ver o bairro rico de Asriad. Era uma parte mais calma da cidade, onde havia menos gente na rua, onde as crianças favorecidas brincavam nos parques acompanhadas das suas amas, os senhores e senhoras passeavam calmamente e conversavam, discutindo com que Lorde a filha se ia casar ou que rendimentos tinham tido no passado Ciclo. Havia uma particular azáfama em torno da maior casa da cidade. Era ali que, provavelmente, o Lorde Garfield vivia. Criadas e amas entravam e saiam da residência, apressadas para fazer qualquer coisa.
            Desceu a encosta. Antes de realizar o ato tinha de estudar o alvo, saber as suas rotinas, onde ia de manhã e de tarde, quando saía de casa e, mais importante, quando se tornava num alvo fácil. Os portões da casa eram guardados por quatro guardas e as portas principais da casa por mais dois. Quando espreitou por uma grande janela da mansão descobriu que o Lorde Garfield era seguido por mais um guarda que provou um bolo antes do Lorde o poder provar. Por que anda ele tão protegido? Então percebeu porquê. Aquela não seria certamente a primeira tentativa de assassínio. Ande protegido ou não, ninguém escorrega pelos dedos de um mondarg, muito menos pelos meus dedos, pensou Joriah.
            Após dar o estudo dos hábitos de Lorde Garfield por inúteis, Joriah dedicou o resto da tarde a procurar quem o tinha contratado. Todo o trabalho tinha sido feito em segredo. Nunca chegara a saber quem queria o Lorde Garfield morto, nem sequer sabia uma letra do seu nome. Não sabia se era um Lorde ou uma Senhora, se era rico ou pobre. No entanto iniciou a sua pesquisa por tentar descobrir a criada que lhe tinha dado a carta.
            Voltou ao mercado, agora na sua hora de ponta. As pessoas passavam atarefadas de um lado para o outro e em todo o lado toda a gente falava do trigésimo terceiro Ciclo do Lorde Garfield. Dizia-se que todos os Lordes e todas as Senhoras da Península de Darigmar iam à festa, que iam servir dezenas de pratos, que haveria teatros e músicos e que o melhor vinho de Gorganar tinha sido trazido. Não viu a cara da criada em lado algum e quando se preparava para partir, ouviu outra conversa entre duas peixeiras.
            — Ouvi dizer que o Lorde Garfield quase morreu na semana passada — disse uma.
            — Então, o que aconteceu? — Perguntou a outra, casualmente, como se aquilo fossem notícias ultrapassadas.
            — Parece que uma criada lhe envenenou o vinho. A sorte dele foi que o guarda provou primeiro e ele sobreviveu. A criada não foi encontrada, nem um rasto dela.
            — Com essa tentativa já lá vão… trinta e três? — E ambas começaram a rir histericamente.
            O que fez ele para o odiarem tanto?, questionou-se Joriah. Enquanto regressava ao bairro rico, passou por um templo onde um aglomerado de pessoas se tinha juntado. Abriu caminho pelo meio delas e entrou no grande templo iluminado por janelas coloridas que representavam os vários deuses ali adorados, os deuses da Nova Fé. No centro do templo e no centro de um círculo com doze estrelas de doze pontas, estava uma mesa de pedra onde um morto estava deitado. Doze velas tinham sido acesas em volta do corpo. Um Sacerdote no altar discursava acerca da boa vontade dos deuses e sobre como eles iam levar o bom Lorde Ariahad para o Reino Eterno. Uma mulher vestida de vermelho chorava junto ao corpo, acompanhada por uma criada. A criada, também ela vestida de vermelho, olhou para Joriah e este percebeu que era a mesma que lhe tinha dado a carta naquela manhã.
            Olhou de novo para o corpo deitado na mesa de pedra e de novo para a criada que agora consolava a recente viúva. Tinha sido o Lorde Ariahad que o tinha contratado para matar Lorde Garfield. E agora ele estava morto. A criada voltou a olhar para ele e lembrou-se do que a carta dizia. “Independentemente do que acontecer, ele tem de desaparecer”. O ato tinha de ser realizado, Lorde Garfield tinha de morrer.
            Desviou o olhar dos olhos frios e penetrantes da criada e desapareceu no meio da turba, deixando o Sacerdote a cantar uma prece qualquer à Deusa da Memória para que o Lorde Garfield não fosse esquecido.
            O sol começava a desaparecer no horizonte e ainda não tinha um plano para fazer Lorde Garfield desaparecer. Não podia simplesmente entrar na sua mansão e matá-lo. Teria de se infiltrar. Também não podia mentir e dizer que era um Lorde qualquer porque uma festa de tal magnitude teria os seus convidados bem escolhidos e controlados. Entar por uma janela não seria fácil, com todos aqueles guardas a guardar os portões frontais e com aquele muro alto.
            Decidiu voltar para junto da mansão, para a estudar melhor. Quando lá chegou já as três luas brilhavam no céu, com Esthia a lançar um brilho suave e prateado como as donzelas. Elaria brilhava dourada como a coroa que a Rainha usava e como o ouro que os Lordes e Senhoras usam para comprar os seus interesses. Eria, por sua vez, brilhava com uma luz cinzento-escura banal, como o resto do povo.
            Os primeiros nobres começavam a chegar. Bandaernos vindos do sul, noriathi do norte. Lordes e Senhoras vindos de todos os cantos de Erithios para celebrarem tão especial acontecimento. Viu Lorde Almuar’Enoh, um noriathi de Dagwell, a cidade mais a norte de Erithios. Aos quatro guardas que previamente guardavam os portões frontais, juntaram-se-lhes dois mordomos, um com uma lista com todos os convidados e outro que recebia os nobres do reino.
            Joriah estudou o muro que rodeava a propriedade e decidiu que era demasiado alto para tentar subir. Se não vou por cima, pensou, vou por baixo. A propriedade ficava isolada das outras, rodeada por um pequeno bosque de pinheiros. Foi até ao lado Este do muro e quando decidiu que era seguro, transformou-se. Tal como era habitual com os mondarghi, a Dádiva tinha-lhe concedido o poder de tomar a forma de um animal. Para sua sorte, era uma pantera. Quando se transformava, tornava-se num animal feroz com presas capazes de rasgar qualquer pescoço ou arrancar qualquer membro. Daí a sua fama de assassino.
            Começou a escavar junto ao muro com as suas garras compridas e afiadas. O seu pelo negro não passava de uma sombra entre as sombras e os seus olhos amarelos pareciam estrelas numa noite de Yx (ver em notas o significado). Quando viu que o muro não continuava mais, começou a escavar um túnel. Em poucos minutos uma passagem tinha sido aberta para o outro lado do muro. A noite já se tinha imposto e agora apenas as luas serviam de iluminação. Decidiu manter a forma de pantera negra pois seria mais fácil para se esconder na noite.
            Aproximou-se de uma grande janela que dava para o grande salão onde a festa decorria. Havia convidados de todas as raças, desde bandaernos com as suas imponentes asas negras e pele morena, até noriathi com a pele branca e os olhos azuis, passando por vanorianos com pele escura e longas espadas à cintura e pelos argonianos, poderosos na sua simplicidade.
            Havia convidados a dançar, outros parados a conversar e um grande grupo no centro do salão. Assumiu que aquele grupo se reunia em volta do Lorde Garfield. Os músicos tocavam músicas conhecidos por todos, como “A Espada do Sul” e “Os Cabelos da Donzela”. Finalmente o pequeno grupo dispersou e Joriah pôde ver o Lorde Garfield. Vestia um traje simples, uma túnica curta e cinzenta, um casaco vermelho e umas calças de lã grossa e castanha. Um longo manto vermelho com o símbolo da Casa Garfield bordado a ouro caía-lhe dos ombros, preso por um broche em forma de peixe a prendê-lo. O Lorde Garfield era, claramente, um argoniano, com o cabelo castanho e curto, barba aparada e olhos verdes. Sorria constantemente, de uma forma jovial, cumprimentando todos os que chegavam.
            Quando se apercebeu de que todos os convidados tinham chegado, pediu aos músicos que parassem. Fez um discurso que Joriah não conseguiu ouvir e quando acabou, os convidados bateram palmas de forma ruidosa. Só quando o Lorde Garfield desceu do pequeno estrado onde os músicos atuavam é que Joriah reparou no seu guarda pessoal que até então o tinha escoltado a toda a hora.
            Então surgiu a oportunidade perfeita para Joriah. Algum Lorde junto da janela onde estava chamou o Lorde Garfield que prontamente se aproximou. Joriah recuou e correu de encontro à janela. Saltou agilmente e partiu-a, entrando para o salão. Atingiu o Lorde Garfield que caiu ao chão e gritou. Os convidados também começaram a gritar e a fugir. O guarda pessoal de Garfield desembainhou uma espada longa e afiada e preparou-se para atacar a pantera, mas Joriah rasgou a garganta do Lorde e fugiu para o outro lado do salão onde os convidados se empurravam para sair. O guarda perseguiu-o, mas Joriah virou subitamente e correu para a janela partida em direção à noite escura. Saltou e conseguiu escapar.
            Quando se viu do outro lado da colina, onde as casas eram pobres e estavam empilhadas umas em cima das outras, voltou ao seu estado normal. A cidade adormecera com os seus habitantes a retirarem-se para as suas casas, preparando-se para o dia seguinte.
            Caminhou em direção ao porto onde esperaria por um barco que o levasse para longe de Asriad. O rio corria alegremente pelo meio da cidade e desaguava no mar agora escuro como o céu. O porto estava silencioso, ouvindo-se apenas os guinchos de alguns ratos. Então alguém lhe deu uma pancada na cabeça e Joriah desmaiou.
            Acordou numa sala ricamente decorada. Havia vários retratos nas paredes e tapeçarias com árvores genealógicas. Uma secretária de madeira escura tinha sido colocada em frente de duas janelas altas. Joriah estava sentado numa cadeira almofadada e à sua frente estava um bandaerno. Mas não era um bandaerno qualquer, era Lorde Ariahad.
            — Finalmente, acordaste — disse quando se apercebeu que Joriah tinha aberto os olhos. — Então, o Garfield está morto, não é?
            — Sim — respondeu Joriah. — Mas como é que…
            — Ótimo — interrompeu o Lorde Ariahad. — Há muito tempo que o quero debaixo de terra.
            — Então as tentativas de assassínio têm vindo de si?
            — Claro. De quem mais? E o Garfield começava a desconfiar. É que o lugar dele como governador pertence-me. Eu sou filho do antigo governador de Asriad e Garfield era pupilo do meu pai. A sua sede por poder começou a tornar-se demasiado grande e Garfield matou o meu pai. Uma vez que eu era muito novo e ele era pupilo de meu pai, fizeram-no governador após alguns subornos, apesar de toda a gente saber que tinha sido ele o assassino. O povo gostava muito do meu pai, sabes? Ele elevou esta cidade quera um monte de esterco a um monte de esterco com pepitas de ouro. Mas a Rainha sempre gostou do Garfield, vá-se lá saber porquê e desde então que ela me tem negado o meu lugar. Agora que tu o mataste, tu serás culpado e quando eu te entregar, a Rainha vai ter de me dar o lugar.
            — Mas tu estavas morto, toda a gente viu. O templo estava cheio de gente.
            — Sim. Mas a minha esposa, que sabia do plano, disse que queria levar-me para casa para a família se despedir de mim e afins. Claro que eu não estava realmente morto. A minha esposa esteve na Ilha durante dois anos e sabe o básico da Dádiva e conseguiu fingir a minha morte. Quando amanhã aparecer vivo, o meu médico dirá que tinha sido apenas um problema de coração e que não tinha morrido realmente.
            — E quando eles perguntarem como sabia que eu era o assassino?
            — E por que irão eles perguntar? Eu sou um Lorde, tu um desconhecido. E segundo o que eu vi, tu estavas transformado, não era? Todos sabem que foi um mondarg que fez o serviço. Primeiro porque nesta zona não há panteras negras e segundo porque nenhuma pantera negra selvagem parte uma janela, mata um Lorde que foi vítima de inúmeras tentativas de assassínio e vai embora.
            — Você estava lá quando eu ataquei?
            — Claro que estava. Senão, como me certificaria de que Garfield estava morto?
            — Esta cidade é demasiado corrupta… — murmurou Joriah.
            — A cidade não é corrupta. A política é que é.
            — Tanta sede de poder, tanto desejo de morte, tantos jogos de poder. Porquê tudo isto? Só por causa de um cargo e de mais algumas moedas? Só por causa da fama e do reconhecimento? Da riqueza?
            — A política é um jogo onde só os melhores sobrevivem. E como qualquer jogo, tens de saber jogá-lo para sobreviver. Garfield foi inteligente, mas desleixou-se quando se viu rodeado de poder e dinheiro. Agora vem, vou-te levar à Guarda de Asriad.
            Joriah olhou em volta. Um guarda tinha aberto a porta da sala e o Lorde Ariahad esperava por ele. Então Joriah levantou-se e correu em direção à janela, transformando-se na pantera feroz que realmente era. Aterrou silenciosamente na rua em baixo, caindo elegantemente na rua pavimentada. Lorde Ariahad gritou ordens aos seus guardas para que o perseguissem, mas Joriah correu rápido, rápido demais para os guardas.
            Quando chegou ao porto, havia um barco que partia. Transformou-se de novo e parou. Olhou para trás, para a cidade onde os pobres viviam em pequenas casas junto ao mar e onde os ricos viviam em mansões ao pé da floresta; onde o povo não passava de peças num jogo complexo e mortífero onde os ricos eram os jogadores; onde as teias da corrupção tocavam tudo e todos. Joriah olhou para trás e viu a cidade que por fora era brilhante e perfeita como uma maçã acabada de colher mas que na realidade é podre como uma maçã murcha e morta. Virou-se para o mar e saltou para o barco que partia, desaparecendo na noite. As luas brilhavam no céu e agora só os Deuses sabiam para onde ia.

            Notas: este conto passa-se em Erithios, no início do reinado da Rainha Olyria IV, quando Joriah tem apenas quinze Ciclos feitos. Em Erithios existem cinco estações, sendo que Yx, referida no conto acima, é uma época em que há bastante frio. Na cultura e religião de Erithios, os números três e doze dão sorte, assim como a cor vermelha, daí a presença destes elementos ao longo do conto.

Pedro Pacheco, 14 de Outubro de 2012

Saturday, 29 September 2012

A minha opinião sobre a Arte - Parte 2


Após ter pensado sobre o tema do post anterior (Arte), cheguei à conclusão que aquele post não me chegava, não me punha completamente satisfeito. É que, para aqueles que ainda não sabem, existe um maravilhoso grupo no Facebook de seu nome "O Cantinho do Corvo Fiacha", um grupo dedicado a tudo e mais alguma coisa. O seu administrador, o Corvo Fiacha, teve mais uma brilhante ideia e propôs que todas as semanas os membros do grupo votem num tema para ser discutido. E desta vez o vencedor foi a Arte. Culpo-me a mim e a todos os outros que votaram neste tema, por me fazerem a vida complicada. É que Arte, como já referi no post anterior, é um tema tão abrangente que é quase impossível traduzi-lo para palavras. E por isso no outro post centrei-me mais na área da pintura, escultura e um pouco de fotografia. Desta vez vou focar-me mais nas restantes áreas deste tema.
Uma professora brilhante de Desenho A na minha escola disse uma frase que me intrigou bastante. A frase? "Tudo o que fazes é Arte". Esta frase é tão simples, mas tão complexa ao mesmo tempo, que me deixou horas e horas a pensar. Porque, se pensarmos bem e olharmos à nossa volta, tudo o que fazemos pode ser considerado Arte. Alguns vêm um jogo de futebol e comentam "aquele passe é pura Arte", ou alguns podem  ler um livro e no final dizer "o que acabei de ler é Arte". Escrever um texto é Arte, cantar uma música é Arte, compor uma peça é Arte, representar um papel é Arte. Porquê? Bem, não o posso explicar de uma forma concreta, mas o que eu acho é que nós consideramos estas simples coisas Arte, pelo simples facto de a pessoa que realizou o acto fê-lo de tal maneira bem, que nós pensamos logo que é uma obra-prima. Porque se pensarmos bem, Leonardo da Vinci, Picasso, etc. pintaram quadros com uma mestria tão impressionante que criaram obras-primas, Arte. E quando alguém faz alguma coisa maravilhosamente bem, nós lembramo-nos inconscientemente de obras maravilhosas e associamos as duas coisas e dizemos "isto é Arte".
Mas agora focando-me mais na minha opinião. Para mim, a mais pura forma de Arte é a literatura. E quando digo literatura não digo apenas livros, falo também de poesia. É que, para os que não sabem, sou apaixonado pela poesia, pois, para mim, um poema é capaz de transmitir tantos sentimentos, tantas emoções, tantas memórias, tanta história, numa forma de escrita tão pequena e elegante que tudo isso me fascina. Olhem como exemplo "Os Lusíadas" de Camões ou "A Mensagem" de Pessoa ou, para aqueles que percebem inglês, "The Waste Land" de T.S. Eliot. Noutras formas de literatura, como a prosa, temos imensos exemplos de livros e contos que transmitem mensagens e emoções com tal mestria que nós não pensamos em palavras, mas sim em Arte.
Outras pessoas buscam a Arte noutros sítios: na dança, na música, na fotografia, no cinema, na comida, etc. Não importa aquilo que fazes ou aquilo que gostas, desde que o faças com paixão, tudo é Arte. Por isso continua a fazer aquilo que fazes, seja isso escrever, tirar fotografias, cantar, dançar, filmar, pintar, esculpir ou aquilo que seja que gostes de fazer, porque um dia vias olhar para aquilo que fizeste e vais dizer: “isto é Arte”. 

Monday, 24 September 2012

A minha opinião sobre a Arte

O que é a Arte? A Wikipédia define Arte como sendo a "actividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objectivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra." Eu, claro, não sou um perito em Arte, nem pouco mais ou menos. Sem muito pouco acerca desta matéria e nunca fui bom a qualquer disciplina relacionada com ela. Mas para mim a Arte não tem uma definição concreta, uma vez que é algo tão geral que se torna quase impossível de definir. Hoje em dia, a Arte pode ser basicamente qualquer coisa, e até ouvi uma professora de Desenho dizer "tudo o que fazes é Arte". Eis uma definição ainda mais geral. Para esta senhora, tudo o que fazemos é Arte, desde o texto que escreves (como este, por exemplo), à mais magnífica obra de pintura alguma vez executada, passando pelos rabiscos que fazias em bebé, pelos "desenhos" que fazias na primária e pelos trabalhos que fazias a Educação Visual no ensino básico. Mas, como este texto é uma opinião, eis que dou a minha opinião sobre este tema tão difícil de tratar.
Eu concordo com ambas as definições de Arte acima apresentadas (a da Wikipédia e a da professora de Desenho). A Arte é, como já foi referido, uma coisa tão geral que é quase impossível de definir, principalmente nos dias de hoje, neste tempo que vivemos, chamado de Idade Contemporânea. Mas antigamente não era assim. Antigamente os padrões que definiam Arte eram mais restritos, mais limitados. Vejamos como evoluiu a Arte.
As primeiras formas de Arte apareceram há milénios atrás quando nós ainda não éramos Homo Sapiens Sapiens, quando ainda éramos colectores e vivíamos em cavernas. Nessa altura o Homem fazia pinturas nas paredes das cavernas, principalmente desenhos alusivas à caça, aos elementos naturais, etc. Eram as pinturas rupestres:
Saltando uns anos, passando o tempo do grande Egípcio, da poderosa Roma e da sábia Grécia, chegamos ao tempo do Renascimento. Depois de séculos vividos na escuridão do pensamento (também conhecido como Idade das Trevas ou Idade Média), o Homem sentiu necessidade de se renascer, de voltar ao seu apogeu, de se reinventar em todos os aspectos. O Homem aperfeiçoou assim os seus conhecimentos das ciências com o desenvolvimento de novas teorias, da astrologia com a invenção de novos instrumentos e com a criação de novas teorias (heliocentrismo), da filosofia com introdução de novos pensamentos, da literatura com o aparecimento de novos clássicos que se baseavam nos antigos (como "Os Lusíadas") e, claro, na Arte com o uso de novas técnicas e com o aparecimento de novos prodígios artísticos.
O Renascimento foi, sem dúvida, uma época importantíssima para a Arte (e para todo o ser Humano em geral), mas não apenas Arte sob a forma de pintura, mas também de escultura, música, dança, etc. (não esquecendo a escrita). Foi nesta altura que surgiram os grandes pintores, escultores e músicos que conhecemos hoje.
Exemplos óbvios são, claro, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto, Botticelli, etc. (na pintura); Donatello, Tullio Lombardo, Michelangelo, etc. (na escultura). E é aqui que entra a minha opinião. Para mim, as pinturas e esculturas que estes mestres fizeram são Arte. Na minha opinião, estes é que são os verdadeiros mestres da Arte. Eis algumas pinturas e esculturas:
A Gioconda (ou Mona Lisa) de Leonardo da Vinci

David de Michelangelo
O Nascimento de Vénus de Botticelli
São Marcos por Donatello
O Julgamento Final de Michelangelo
Agora passamos uns anos mais à frente e chegamos à Idade Contemporânea, ou seja, os dias que correm. Muitos são os pintores e escultores, músicos e dançarinos, fotógrafos e arquitectos que nos são conhecidos. Os exemplos mais básicos incluem Pablo Picasso, Salvador Dalí, Van Gogh, Joana Vasconcelos, Paula Rego, Andy Warhol, etc. E eis que encontro um problema. Na minha opinião, a Arte regrediu no verdadeiro sentido da palavra. Ora comparem as obras acima apresentadas, com as que coloco em baixo:


White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose)
de Mark Rothko
Orange, Red, Yellow
de Mark Rothko
Woman III
de Willem de Kooning
Rhein II, fotografia de Andreas Gursky
a.k.a. fotografia mais cara do mundo
The Scream
de Van Gogh
Supermatist Composition
de Kazimir Malevich
Sem Título (creio eu)
de Pablo Picasso

Guernica
de Pablo Picasso
The Persistence of Memory
de Salvador Dalí
Como podem ver, hoje em dia há muitas pinturas, boas e más, na minha opinião. Salvador Dalí e Pablo Picasso são dos meus pintores favoritos, principalmente devido à irrealidade retratada nas suas obras e devido às fortes cores que usam. E, na minha humilde opinião, são dos melhores exemplos de artistas contemporâneos. Já Mark Rothko, Willem de Kooning e Kazimir Malevich apresentam obras tão simples que para mim nem chegam ao estatuto de Arte. Obras tão ridículas que, se não me dissessem que tinham sido pintadas por pintores profissionais (e se não me dissessem que custaram mais de 60 milhões de dólares), eu diria que tinham sido pintados por crianças do 6º ano. Já para não falar da magnífica fotografia "Rhein II" de Andreas Gursky que é a fotografia mais cara do mundo custando... (drumroll)...... 4.3 milhões de dólares. WTF? Quem é que no seu perfeito juízo compra aquela fotografia por 4.3 milhões de dólares. Uma fotografia tão ridiculamente fácil de tirar que qualquer pessoa com uma boa câmara e um tripé podem copiar. O que acontece a fotografias como:

São coisas como estas que me "irritam" na arte contemporânea. O que aconteceu às obras como "Mona Lisa" e "O Nascimento de Vénus"? Foram substituídas por estas novas maravilhas da Arte como "Supermatist Composition" ou "Orange, Red, Yellow"? Por outro lado ainda temos grandes pinturas como "The Scream" e "The Persistence of Memory".
Assim, deixo-vos duas perguntas: como acham que vai ser a Arte daqui a 50 anos? E o que acham desta nova tendência no mundo artístico?

P.S. Já para não falar nos novos talentos musicais que ultrapassam de longe Mozart e Beethoven com as suas músicas tão profundas e sentimentais:

Tuesday, 11 September 2012

Slaughterhouse FIve or The Children's Crusade - Opinião

Um Verão inteiro se passou sem que eu pegasse num livro. Três meses de férias e o resultado? Dois livros lidos. Devia ter vergonha, eu sei, mas durante as férias não me consigo concentrar na leitura. Mas deixando o que aconteceu nas minhas férias de lado, vou-me concentrar nesta opinião.

Um dos dois livros que li foi o Slaughterhouse Five de Kurt Vonnegut. O que me atraiu para este livro não foi a sua história ou as outras opiniões, mas sim a capa apelativa. Eu sei, cometi o pior erro que um bom leitor pode cometer: julguei um livro pela sua capa. Mas neste caso ainda bem que assim foi porque a sinopse nunca me teria atraído para este livro.
Foi o terceiro livro que li em inglês e sem dúvida que foi um pouco complicado de acompanhar tudo, mas o livro é pequeno e tenho a boa sorte de ter um irmão e um primo que sabem muito de inglês.
Então qual a história deste livro? Bem, é um pouco complicado de explicar e quando a descrever aqui, vocês vão pensar que inventei tudo à pressão, mas não.
Este livro está organizado de maneira a não ter uma ordem cronológica. Em vez disso, conta a história de Billy Pilgrim, um optometrista que teve uma vida muito invulgar. É que o Billy tem a maravilhosa capacidade de viajar no tempo, o que faz com que ele compreenda a completa essência do tempo. E com esta capacidade, Billy consegue ver o mundo como mais ninguém consegue. Mas as suas viagens no tempo não são planeadas, acontecem espontaneamente. Billy casou-se com a filha gorda de um optometrista, Valencia, teve dois filhos, Robert e Barbara e a vida corria maravilhosamente normal, até ao dia em que Billy é raptado por extraterrestres, mais especificamente por habitantes do distante planeta Tralfamador. Durante este livro, conhecemos a conturbada vida de Billy, desde o momento em que se casou até aos seus tempos num zoo em Tralfamador, passando pela parte central do livro, a Segunda Guerra Mundial, pois Billy (assim como Kurt Vonnegut) foi um prisioneiro de guerra, mantido em cativeiro no Matadouro nº5 (Slaughterhouse Five), onde conheceu companheiros de guerra.

Este foi, sem dúvida, o livro mais aleatório e "inventado à pressão" que alguma vez li. Uma mistura estranha de ficção científica com romance, drama, guerra e história. Este é um dos maiores clássicos da literatura americana, talvez tão importante para os EUA como os Maias são para Portugal.
Começando pela escrita, devo dizer que não era muito fora do vulgar. Os diálogos eram raros, uma vez que o livro se concentra principalmente nos pensamentos e nas experiências de Billy. Bastante descritiva, dá-nos uma imagem geral do que se está a passar.
É um pouco difícil de avaliar as personagens uma vez que este livro é bastante concentrado no Billy e SÓ no Billy. Existem muitas outras personagens, mas são todas figurantes e as únicas que se aproximam de personagens secundárias são o Eliot, o Lazzaro e o Edgar Derby. O Billy era uma personagem muito tridimensional, conhecemos várias facetas dele e os porquês das suas escolhas. Eliot aparece mais para a frente. Eliot é o homem que está deitado na cama ao lado da de Billy no Hospital dos Veteranos e que apresenta a Billy os magníficos livros de Kilgore Trout que ajudam ambos a superar os eventos da guerra. Lazzaro é um homem que Billy conhece na guerra, bastante violento e estranho, misterioso e manhoso. Edgar Derby foi em tempos um professor que conseguiu ir para a guerra e que se torna "amigo" de Billy.
Existem vários cenários neste livro, vários locais. Desde a casa de Billy, passando por Dresden até ao zoo em Tralfamadore, todos bem descritos e interessantes.
Mas o ponto forte deste livro é mesmo enredo. Nunca pensei que um enredo tão aleatório pudesse resultar em algo tão interessante e fascinante como este.

Concluindo, 7.5 em 10 pontos, 3 em 5 estrelas. Um livro interessante e que recomendo, mas um pouco lento e aborrecido.

Até à próxima e... boas leituras!