Monday, 7 October 2013

A Rapariga Que Roubava Livros - Opinião

Há muito tempo que não vinha aqui dar a minha opinião sobre este ou aquele livro e esse hiato deve-se essencialmente às férias de verão que, ao contrário do que muitos pensam, é quando tenho menos tempo para ler e dar atenção à tão querida Internet. No entanto as férias já acabaram há 3 semanas e há muitos livros que ainda não têm a sua opinião devida e merecida. Admito: sou preguiçoso e um procrastinador
profissional e essa falta de opiniões deve-se essencialmente à minha falta de vontade de escrever.
Até vir este livro.
Já devem estar a ver que este livro é, deveras, algo de muito especial para me fazer voltar às minhas andanças nos blogues portanto, e sem mais demoras, vamos saltar para a opinião.

"A Rapariga Que 'Roubou' 3 Livros"
Outra pequena introdução: quando comecei este blogue decidi que seria eu a escrever as minhas próprias sinopses dos livros a opinar mas depois mudei de ideias e decidi copiar as sinopses do Goodreads principalmente porque alguns livros teimavam em não querer ser bem resumidos. Hoje, no entanto, regresso às origens com uma sinopse que eu próprio escreverei sob a forma de uma conversa. Aqui vai:
Sinopse:
Morte: Olá a todos! Bem-vindos ao fantástico livro "A Rapariga Que Roubava Livros". Fiquem desde já a saber que eu serei a vossa narradora e que portanto vou interromper o fluxo da história diversas vezes para vos dizer coisas que podiam ser contadas ao longo da narrativa, mas eu gosto de infodumps, e para vos avisar de acontecimentos porque sei que vocês não gostam de ser surpreendidos.
Leitor: Mas eu gosto de ser surpreendido. São as reviravoltas e plot twists que afectam os sentimentos e fazem o leitor ficar interessado na história.
Morte: Cala-te que não sabes o que estás a dizer. Agora começa lá a ler o livro.
Liesel: Olá! Eu sou a Liesel e não tenho personalidade nenhuma, sou bastante irritante e não vou desenvolver ao longo da história. No entanto amem-me porque tenho 11 anos e sou muito fofinha e inteligente.
Morte: NÃO! Tu não te chamas Liesel. Tu chamas-te rapariga que roubava livros e portanto vou-te chamar assim durante todo o livro excepto quando tiver de evitar repetições.
Liesel: Mas eu só roubei, tipo, 3 livros ou lá que foi.
Morte: Cala-te rapariga que roubava livros. Saukerl! Já agora aproveito para dizer que vão encontrar diversas palavras em alemão ao longo da história que serão logo traduzidas. Dá mais "profundidade" à história, percebem? Faz com que o autor pareça saber o que está a escrever.
(Autor: Só que não! MUAHAHAHAHAHAHAH!)
Morte: Vamos começar por matar o irmão da Liesel para poder sentir empatia e compaixão por ela logo desde o início e para começarem logo a chorar.
Liesel: Quando o meu irmão foi enterrado roubei um livro chamado "O Manual do Coveiro" que estava no caído no chão.
Leitor: Então não o roubaste. Simplesmente o levaste porque estava no chão.
Como eu imagino o Rudy depois de ser
repetido um milhar de vezes que o cabelo
dele é da cor do limão.
Morte: Não! Ela é a rapariga que roubava livros e roubou o livro.
Leitor: Que estava no chão.
Morte: Não interessa!
Rudy: Olá! Eu sou o Rudy e vou passar o livro a dizer que odeio o Hitler mas não vou fazer nada e depois
vão ver que eu gosto da Liesel e vou-lhe pedir muitos beijinhos que ela nunca vai dar e tenho o cabelo da cor do limão.
Morte: Interrupção para dar o significado da palavra "limão" no dicionário.
Leitor: Ahn? O que é que se está a passar.
Mama: Olá! Eu gosto de berrar e chamar Sauker e Saumensch a todos (isso basicamente significa que gosto de chamar "porco" e "badamerdas" a toda a gente), mas lá bem no fundo sou boa pessoa.
Papa: Olá! Eu tenho olhos de prata como poderão ler um milhar de vezes ao longo do livro. Sei ler e vou ensinar a Liesel a ler e também sou bom a tocar acordeão.
Liesel: Papa!
Papa: Liesel!
Mama: Saukerl!
Morte: Já estás a chorar, leitor?
Leitor: O quê? É suposto chorar?
Morte: Cala-te e lê o livro antes que te mate. Já agora, aqui vão algumas descrições ridículas e sem sentido do céu quando eu levo almas e toma lá mais umas quantas frases estúpidas que parecem filosóficas e profundas mas na verdade são simplesmente parvas. E mais um facto: este livro não vai acabar bem.
Leitor: Pára! Eu gosto de plot twists e reviravoltas.
Morte: Cala-te e lê! Olha vem lá um judeu que procura abrigo na casa da Liesel e dos seus pais adoptivos porque o Papa conheceu o pai do judeu, que se chama Max, na 1ª GM.
Max: Olá! Eu sou um judeu na Alemanha nazi e por isso vão sentir compaixão por mim. Tenho o cabelo como penas e a chave que seguro está-me a queimar a mão.
Leitor: As chaves não queimam a não ser que sejam aquecidas e nenhum cabelo se parece com penas.
Morte: Cala-te e lê.
*Muitas páginas sem sentido e aborrecidas se passam*
Liesel: Papa!
Papa: Liesel!
Liesel: Mama!
Mama: O que queres oh inútil porca estúpida e peso morto que só me chateia a cabeça?
Liesel: Podias ao menos ter dito isso em alemão. Sempre parece menos bruto. Rudy!
Rudy: Diz Liesel.
Liesel: Estou aborrecida porque não acontece anda.
Rudy: Vamos roubar.
Morte: Isto vai acabar mal por isso prepara os lenços para limpares os rios que vais chorar.
O maravilhoso narrador deste
maravilhoso livro
*Acontece uma coisa insignificante e aborrecida*
Morte: EU BEM TE DISSE!!! MUAHAHAHAHAHAHAHAH! CHORAS-TE MUITO?
Leitor: Não, tu avisaste-me antes por isso já estava à espera.
Morte: Cala-te e lê!
Leitor: Mas este livro não está a fazer sentido nenhum!
Morte: Tu deves ser daqueles que pensa que todos os livros têm de ter um enredo e personagens multi-dimensionais e também deves achar que duas metáforas por frase é demasiado. AHAHAHAHAHAHAHAH! ESTÁS ENGANADO!
Leitor: Por que é que eu comecei a ler este livro?
Morte: Porque toda a gente ama este livro e tu também. E para além do mais tem frases super filosóficas e metafóricas como: "O sol cor de pequeno-almoço" e "As palavras pingavam da boca do papá."
Leitor: Visto que como cereais de chocolate com leite ao pequeno-almoço vou imaginar que o sol estava branco e castanho na altura. E com a segunda frase só consigo imaginar o Papa com a boca aberta e com saliva a escorrer e essa saliva tem a forma de palavras.
Morte: Cala-te e lê!
Max: Ainda ando por aqui e sou super fofinho. Tenho um passado muito negro e gosto muito da Liesel por isso escrevi-lhe um livro com uns pássaros e umas quantas suásticas e umas metáforas que não fazem sentido nenhum. Amem-me por favor!
Liesel: Oh Max! Adorei a prenda. Gosto muito de ti! :)
*Mais umas quantas dezenas de páginas com a Morte a interromper constantemente o fluir da história, a Liesel e o Rudy roubam algumas coisas, toda a gente está muito mal, aparecem algumas personagens insignificantes lá para o meio, acontecem algumas coisas sem interesse e
» Click to show Spoiler - click again to hide... «
*Tudo muito giro e a Liesel vai para Sydney (original tendo em conta que o autor é de lá) e a Morte acaba com umas quantas narrações "assustadoras" e "sombrias")
FIM!!!

Aquele que não sabia nada da Alemanha nazi
excepto aquilo que lhe contaram em histórias
quando era pequeno.
Opinião
Adjectivos para este livro: pretensioso, aborrecido, irritante e demasiado longo. As ideias eram boas mas execução muito má. Quando comecei a ler este livro nem foi bem pelo facto de toda a gente gostar. Foi mais porque estava interessado em saber como seria ler um livro narrado pela Morte mas acabou por ser demasiado pretensioso como se em todas as páginas o autor quisesse forçar o leitor a chorar por coisas que não metiam pena nenhuma. Eu consigo imaginar o brainstorm que o autor fez antes de escrever este livro:
"Estou farto de ser um autor desconhecido e preciso de dinheiro por isso preciso de escrever um livro que tenho a certeza que vai fazer sucesso. Vou dizer que é um livro juvenil mas na verdade todo o livro vai ser escrito para adultos porque ninguém com menos de 15 anos vai perceber metade do livro. Aliás, vou tentar pôr mensagens subliminares através de metáforas que nem um adulto bem instruído vai perceber mas toda a gente vai achar muito giro. Ok, já tenho as bases. Agora visto que é um livro juvenil para adultos preciso de um tema polémico. Já sei! Hitler, o holocausto e a 2ª GM. E para fazer tudo mais interessante vou pôr a Morte a narrar a história toda, vou deitar para lá umas quantas personagens fofinhas mas que mais parecem pedaços de cartão a andar de um lado para o outro e está feito!"
E assim se cria um livro que supostamente é muito giro e tal e na verdade é o maior desperdício de tempo. Um dos piores livros que li, não recomendo a ninguém. Só não lhe dou pior classificação porque de alguma maneira consegui acabá-lo e porque uma personagem, a Ilsa Hermann, até era um bocado interessante ainda que irritante.

Resumindo: 3 estrelas em 10, um Horrível completo. Não leiam, não merece o vosso tempo. Sinceramente não percebo como é que tem 4.36 estrelas no Goodreads e quase 360 mil leituras. Enfim...

Até à próxima e... boas leituras!

Wednesday, 3 July 2013

A Corte dos Traidores - Opinião

Sinopse:
Os Seis Ducados estão mais vulneráveis do que nunca. Enquanto o príncipe herdeiro combate os Navios Vermelhos com a sua frota e a força do seu Talento, o Rei Sagaz enfraquece a cada dia com uma misteriosa

doença e bandos de Forjados dirigem-se para Torre do Cervo matando todos pelo caminho.
Mais uma vez Fitz é chamado para para servir como assassino real. Mas o jovem esconde outro segredo: ninguém pode saber que formou um vínculo com um jovem lobo através da magia proibida da Manha e, se for descoberto, arrisca-se a uma sentença de morte.
Quando o príncipe herdeiro embarca numa perigosa missão para pôr fim à ameaça dos Navios Vermelhos, a corte é entregue nas mãos do príncipe Majestoso que tem os seus próprios planos maquiavélicos para o reino. Cabe ao jovem bastardo proteger o verdadeiro rei numa corte prestes a revelar a face dos traidores num clímax memorável.

Opinião:
Por onde começar?
Este livro foi perfeito em todos os sentidos da palavra e ainda que o título tenha sido escolhido pela Saída de Emergência (creio eu), assenta perfeitamente à história. Vou explicar o porquê de ter adorado tanto este livro: o primeiro livro desta saga foi, no início um grande desapontamento, como já aqui expliquei anteriormente, mas mereceu cinco estrelas porque acabou por me surpreender bastante; o segundo livro teve "apenas" quatro estrelas porque, apesar de ser bom, foi um bocado parado; mas este terceiro livro, oh god.
Já se passou algum tempo desde que o li mas creio que ainda sou capaz de recordar o que aconteceu. Este livro continua imediatamente a seguir ao segundo uma vez que no original são os dois o mesmo livro (é a mania da SdE de dividir os livros em dois) e por isso é aconselhável que leiam este terceiro imediatamente a seguir ao segundo. O Rei Expectante Veracidade parte, como diz a sinopse, para uma perigosa missão em busca dos Antigos. Os Antigos são um povo lendário que, segundo se diz, já anteriormente tinha vindo ao auxílio dos Seis Ducados e por isso Veracidade procura-os de novo para os salvar dos Navios Vermelhos. Ao início esta decisão pareceu um pouco irresponsável mas depois acabamos por perceber o desespero que atinge Veracidade e que apenas lhe deixa duas hipóteses: ou fica em Torre do Cervo e gasta todas as energias no Talento ou parte nesta missão arriscada.
Veracidade deixa assim a corte para o Rei Sagaz que está muito doente e enfraquecido e por isso quem realmente "manda naquilo tudo" é Majestoso. E heis o que fez este livro tão bom: nunca em toda a minha vida enquanto leitor eu odiei tanto uma personagem como Majestoso. Nunca. Nem mesmo Cersei ou o Joffrey. Majestoso é o arquétipo dos antagonistas. É que ele é mau, é horrível, odioso mas esses adjectivos não se aplicam a ele como se aplicam, por exemplo, a Lord Voldemort. Ele não anda para ali a matar pessoas (kinda of), não se põe a cortar cabeças nem a enforcar pessoas (apesar de querer). Ele simplesmente puxa uns cordelinhos e mata quem quer sem nunca se saber que é ele.
A segunda coisa que fez este livro perfeito foi o final. Oh god, aquele final. As últimas cem páginas (mais ou menos) estão cheias de revelações, traições, emoções e quase me fizeram atirar o livro contra a parede na esperança que Majestoso morresse, assim como Justino e Serena (mas esses pronto...)
As outras personagens foram excelentes como sempre. Kettricken é, até agora, uma das minhas personagens femininas favoritas e o Bobo permanece um mistério. Mas os melhores momentos foram, sem dúvida, quando Moli e Fitz estavam juntos. Adorei as falas, os momentos, as discussões e os corações partidos porque retratam uma relação realista, não um conto de fadas qualquer e no final deste livro até o meu coração ficou partido com o rumo desta relação.
E falando em final. Eu estava mais ou menos à espera do que ia acontecer porque li a sinopse do quarto livro antes de acabar este, mas mesmo assim aquele final fez-me ler o quarto livro logo a seguir. Eu tinha de saber o que acontecia. Não consigo imaginar as pessoas que leram este livro quando o quarto ainda estava por sair. Estou a imaginá-las a ler as últimas páginas umas cem vezes para se certificarem de que aquilo tinha acontecido. Alguns podem pensar que tudo tinha de ficar bem porque ainda havia mais um (dois em Portugal) livro para sair e por isso aquilo tinha de ser remediado. Mas com Robin Hobb não sabemos se tudo ia ficar bem no próximo livro. Quem nos diz que no próximo livro a história não ia continuar com uma espécie de vingança de Breu ou de Castro ou do Bobo ou da Kettricken. Não sabemos. É assim a Robin Hobb. E outra coisa fantástica (isto mais relacionado com a escrita) é as reviravoltas. Todos estamos habituados a reviravoltas e depois de ler as Crónicas de Gelo e Fogo já quase nada nos surpreende. Mas a diferença é que GRRM apresenta as reviravoltas e plot twists de uma forma brutal, atira-nos à cara e logo a seguir ajuda-nos a processar o que aconteceu através das consequências da reviravolta. Enquanto que Robin Hobb apresenta as suas reviravoltas de uma forma completamente banal, como se não fossem nada de especial, apenas um acontecimento como qualquer outro e a história continua. Creio que isto se deve ao facto de o livro ser escrito na primeira pessoa e ser uma espécie de recordação porque o Fitz está a recordar isto tudo e assim as reviravoltas não passam de um mero encadeamento lógico do Fitz. Dois exemplos de reviravoltas que me deixaram boquiaberto (e que me consigo lembrar agora) foram o da Rosamaria e o do Justino e da Serena.
Mas deixo-vos ler o livro por vós próprios, julguem-no como quiserem. Eu adorei, 10 estrelas de 10, Brilhante. Um livro excelente e que recomendo, sem dúvida. Se acharem os dois primeiros livros da saga aborrecidos e lentos, esperem até este.

Até à próxima e... boas leituras!

Monday, 1 July 2013

Book Haul #3

Desde o meu último Book Haul que tenho andado a acumular uma quantidade (not so) saudável de livros e uma vez que já não posto aqui há que séculos, porque não começar com um Book Haul onde vos vou mostrar todos os livros que adquiri desde o último. Yay for books! Vamos lá então:

1. Comprei os livros que me faltavam da Saga do Assassino da Robin Hobb ("O Punhal do Soberano", "A Corte dos Traidores", "A Vingança do Assassino" e "A Demanda do Visionário") sendo os três últimos resultado da promoção da SdE que decidiu pôr todos os livros da RH na promoção 2=3















2. Alguns livros das Crónicas de Gelo e Fogo ("O Festim dos Corvos" e "O Mar de Ferro")


3. Mais um livro do GRRM, o "Windhaven" escrito em conjunto com a Lisa Tuttle


4. Mais um livro do GRRM, o "Sonho Febril", resultado da Feira do Livro do Porto Online da SdE


5. Um livro que ando a desejar há anos: "O Dardo de Kushiel" da Jacqueline Carey


6. Um livro da Anne Bishop, uma autora que anda há espera de ler há anos, o "Os Pilares do Mundo" (oferta da promoção 2=3)


7. Um clássico que nunca na vida pensaria ler mas que tive de comprar para o Concurso Nacional de Leitura (do qual fui finalista), o "O Vermelho e o Negro" do Stendhal


8. Outro livro que, como sempre, estava ansioso por ler: "A Rainha Branca" de Philippa Gregory


9. Um livro em inglês: "Mockingjay" o terceiro e último livro da trilogia "The Hunger Games" de Suzanne Collins


10. E finalmente três livros emprestados e também em inglês: "The Catcher in the Rye" de J.D. Salinger, "Do Androids Dream of Electric Sheep?" de Philip K. Dick e "Leviathan" de Scott Westerfeld




















Espero não me ter esquecido de nenhum! Bem, esperem opiniões de todos estes livros pois prometo que os acabo a todos este ano e ponho opiniões de todos. Alguns até já estão lidos :)

Até à próxima e... boas leituras!

Friday, 31 May 2013

Cliché porquê?

Após uma prolongada e dolorosa ausência devido às condições adversas que têm surgido nestes tempos (portanto, os testes) eis que me vejo com algum (pouco) tempo livre para redigir um pequeno post sobre uma pergunta que me tem feito pensar durante muito tempo.
Ora, como sabem, eu sou um grande fã de fantasia. No entanto, isso não significa que seja um crítico literários específico desse género. É claro que depois de se ler muitos livros dentro de um género, é normal
que os nossos padrões de qualidade vão evoluindo até chegarem ao ponto de serem tão altos que poucos são os livros que consideramos bons. A fantasia é, por outro lado, um dos géneros mais complexos uma vez que resulta da mistura de outros géneros. Uma boa obra de fantasia deve conter assim uma grande quantidade de elementos fantásticos (como seria de esperar), um pouco de romance (um pouco, Stephenie Meyer, não carradas), mistério, drama, intriga, crime, etc. Mas para um escritor de fantasia surge a pergunta: como devo eu escrever uma obra original que contenha todos estes critérios?
A Stephenie Meyer, para variar
Pois, aí é que reside o problema. Os livros não são propriamente novos, surgiram há muitos séculos atrás, o que significa que tudo o que podia ser escrito já foi escrito e por mais que uma pessoa pense numa história completamente original ou esta é demasiado absurda (por ser muito diferente) ou não existe. Portanto é tarefa de um autor escrever uma história que seja, pelo menos, um pouco diferente das que já foram anteriormente publicadas. No entanto, como pode um autor saber se o seu twist pessoal não foi já feito? Para saber isso teria de ler todos os livros já publicados, o que é completamente impossível, e esta tarefa torna-se ainda mais difícil dentro da fantasia uma vez que os fãs deste género são cada vez mais e mais exigentes, fartos de verem porcaria publicada no seu género, fartos de verem livros carregados de clichés a circularem no mercado. É então que surge outra pergunta: por que é que uma coisa é cliché?
Supostamente um cliché é algo que já foi feito, algo tão comum que já ninguém quer ler, algo que está demasiado na moda, é demasiado mainstream. Um exemplo de cliché recente: romance entre vampiros e humanos. Outro: livros de fantasia que incluem elfos, anões e dragões, etc. Mas se nenhum livro é original e se um cliché é algo que já foi feito, então não estão todos os livros cheios de clichés?
Bem, não. Não há um critério definido que nos diga que um aspecto de um livro é cliché e outro não. Na minha opinião, este critério baseia-se no senso-comum do leitor. É o leitor, que em conjunto com outros leitores, decide se algo é cliché ou não. Hoje em dia verificamos que no mercado literário, como o mercado da roupa, têm surgido modas. Um livro é publicado e é bem recebido pelo publico e no ano e meio seguintes saem livros atrás de livros que se parecem com o primeiro que teve sucesso. Verificámos isso com a saga Twilight e com a dos Jogos da Fome. Estes livros popularizaram um género (vampiros e distopia respectivamente) e lançaram modas. É óbvio que ao fim de algum tempo o mercado literários e os leitores já estão saturados com o género que está na moda e acaba por se tornar cliché. Se agora eu lançar um livro em que um vampiro se apaixona por uma humana será, muito provavelmente, odiado por quase todos porque já foi feito demasiadas vezes nos últimos anos. Mas "nos últimos anos" não significa para sempre.
Great books
É época em que o livro é publicado tem então influência na decisão dos leitores decidirem se algo é cliché ou não. O problema é que para algo deixar de ser pouco original têm de passar muitos anos, muitos anos mesmo. Temos de esperar por uma "renovação das gerações" esperar que as pessoas que assistiram ao lançamento de uma moda morram para que se renove o mundo dos leitores. É por isso que paixões entre vampiros e humanos ainda são cliché. É por isso que os fãs da fantasia consideram elfos, anões e dragões cliché. No último caso, quem popularizou esta série de raças mitológicas foi J.R.R. Tolkien e a sua grande obra "O Senhor dos Anéis". Quando lemos "O Senhor dos Anéis" não achamos nada daquilo cliché porque sabemos que foi publicado há muitos anos e quando saiu para o mercado era original. Os livros que se seguiram é que acabaram por ser cliché porque são, grosso modo, imitações baratas desta grande obra (já o mesmo não se pode dizer do Twilight já que este já é uma imitação super-rasca do "Drácula").
Resumindo, cliché porquê? Bem, no caso da fantasia, podemos dizer que é cliché porque o J.R.R. Tolkien escreveu uma obra demasiado boa e por mais que alguém tente escrever um livro com elfos, anões e dragões, nunca será tão bom como "O Senhor dos Anéis".
Na vossa opinião por que é que algo é considerado cliché? Concordam ou discordam com a minha opinião?

P.S.: eu sei que é um post um pouco confuso e sei que não tenho estado activo na blogosfera literário portuguesa e por isso peço desculpa. Prometo que em breve voltarei a publicar e a comentar o máximo que puder.

Até à próxima e... boas leituras!

Saturday, 4 May 2013

Primavera - um poema

Primavera
por Pedro Pacheco


Subtil, indecifrável, o aroma ergue-se no ar
Viajando ao som do vento, dançando valsa lenta,
Passando pelos campos, correndo para o mar,
Subindo em espiral das papoilas que florescem,
Seguindo rios apressados, cantando uma melodia
Que nos anuncia a Primavera, que nos chama,
Num murmúrio arrastado durante o dia
E num silêncio profundo na noite estrelada.

Chega a Primavera, derretendo a neve
Que o Inverno nos deixou em dias frios
De céu branco onde flocos puros caíam leve,
Suave, lentamente, cobrindo-nos num manto
Branco e virgem, um manto de esquecimento
Que nos aconchega e nos abraça, pintando,
Esculpindo! as paisagens do nosso lamento
Num lusco-fusco infinito, eterno, permanente.

E as aves saem dos ninhos, a andorinha chega
Como uma lança branca de paz que rasga o céu
Outrora de um azul profundo que nos aconchega,
Lançando sobre nós a luz do Sol ofuscante
Que dá cor à erva, que faz as árvores florescer
Colorindo a pouco e pouco um mundo afundado
Em tristezas e mágoas que nos fazem tremer.
E enfim chega a Primavera, subtil, indecifrável.

Tuesday, 30 April 2013

Um pedido de desculpas e uma breve opinião sobre as primeiras 258 páginas do "Nómada"

Este deve ser o título mais explícito que alguma vez dei a um post. Não obstante, vou desenvolver o tal título para que todos possam perceber o porquê da sua existência.
A primeira parte do título refere-se a um pedido de desculpas que já devia ter vindo mais cedo, mas não veio. Isto porque aqueles que seguem o meu blog ou o visitam regularmente irão reparar que não publico um
post há, aproximadamente, um mês. E aqueles que são seguidos por mim irão reparar que não comento nenhum dos seus posts há, aproximadamente, um mês. Porquê? Ora porque fiquei sem Internet durante quase todo o mês de Abril e provavelmente o mesmo irá acontecer durante o mês de Maio - e por isso apresento já o meu pedido de desculpa para este mês que se segue. Por um lado esta falta de Internet foi terrível, horrenda, um pesadelo pois privou-me dos mais fúteis prazeres e não me deixou comentar nos posts de ciberamigos nem partilhar experiências de leitura com esses mesmos amigos. Por outro até foi uma boa experiência por duas razões: a primeira porque me mostrou como é viver durante quase um mês sem Internet (um bem que hoje todos temos como quase garantido) e a segunda porque me deixou mais tempo para ler porque, sejamos honestos, sem Internet não há grande razão para ir ao computador.
Assim sendo, Abril acabou por se tornar num mês quase excepcional para leituras: acabei o quinto livro da saga Harry Potter (Harry Potter e a Ordem da Fénix que tem, aproximadamente, 750 páginas), o sexto livro da mesma saga (Harry Potter e o Príncipe Misterioso), comecei o sétimo também desta saga (Harry Potter e os Talismãs da Morte), li umas quantas páginas de um livro que eu julguei ser bom mas que se revelou bastante mau (A Rainha Branca) e li 258 páginas do mostro chamado "Nómada", páginas essas que irei opinar na segunda parte deste post.

A aproximação da estreia do filme "Nómada" adaptado do livro com o mesmo nome fez aumentar a minha ansiedade em ler este livro enorme que ronda as 900 páginas. Já tinha ouvido falar tão bem deste livro por parte da comunidade literária tanto do Youtube como dos blogs que o meu cepticismo perante este livro desapareceu por completo. Porquê cepticismo? Pelo simples facto de ser escrito por uma autora tão falada neste blog (quase nunca pelas melhores razões): Stephanie Meyer. Então lá fui eu à biblioteca e requisitei o livro.
Quando comecei a ler confesso que fiquei intrigado e satisfeito. O conceito era bom, o início era apelativo. Mas o primeiro problema surgiu quase nas primeiras 50 páginas. Para explicar este primeiro problema apresento aqui um breve resumo da história: o planeta Terra sofreu uma invasão por parte de uns aliens que são uma espécie de almas que se apoderam do corpo de seres vivos e nele vivem para, supostamente, afastar o mal dos planetas que visitam. Mas um grupo de humanos consegue sobreviver, entre eles estás Melanie Stryder, uma jovem guerreira que, infelizmente, foi capturada e implantaram-lhe uma alma de nome "Nómada", uma das mais experientes almas, a que mais planetas visitou e mais vidas viveu (e atenção que estas maravilhosas características são repetidas indefinidamente no início do livro). Ora com este resumo lá
fui eu esperando uma guerra interna entre a Nómada e a Melanie que, surpreendentemente, consegue resistir à implantação da alma. Esperava que esta batalha se alargasse durante grande parte do livro pois seria interessante ver como a Nómada tentava conquistar o corpo de Melanie e vice-versa. Mas então a Nómada (que é tão resistente) submete-se à mente de Melanie que agora manda em tudo, incluindo em Nómada.
O segundo problema surge logo a seguir. Melanie começa a mostrar a Nómada uma série de recordações onde Jared, um homem lindo de morrer (como seria de esperar) e por quem Melanie se apaixonou. E adivinhem: Stephanie Meyer atinge-nos com mais um cliché ao fazer Nómada apaixonar-se por Jared.
O terceiro problema aparece então com o progresso da leitura. Depois de aceitar o facto de que Nómada também se apaixonou por Jared (o que seria de esperar vindo de um livro de Stephanie Meyer), a leitura torna-se simplesmente tediosa. Partes que deviam ser desenvolvidas (como a luta interna entre Nómada e Melanie) são apressadas e partes que deviam ser apressadas (como os dias em que Melanie passa numa gruta extremamente desconfortável, como é repetido vezes sem conta) são arrastadas durante páginas e páginas e páginas.
Por fim vem o quarto problema, aquele que "encheu o copo" e me obrigou a pousar o livro. É que Melanie ou Nómada finalmente encontram Jared quando pensavam que toda a esperança estava perdida. O que é que acontece neste momento emocionante? Jared dá um murro Melanie. Ok, é um choque mas podemos compreender o porquê: ele pensava que a Melanie tinha desaparecido e que um alien tinha tomado conta do seu corpo. O que seria de esperar? Melanie ia explicar, provando, que ainda lá estava e que ela e Nómada partilhavam o corpo. Mas não, Melanie fica calada, com medo de a matarem, e passa dias numa caverna desconfortável. Pronto, tudo bem, ela decidiu não falar mas que pelo menos revele um pouco de desprezo contra Jared que lhe espetou um murro. Mas não, segue-se um longo e cansativo discurso interno onde Melanie repete vezes sem conta que ainda o ama, que ele é lindo de morrer, descreve cada centímetro do seu corpo (excepto, claro, as partes privadas porque Melanie ainda é demasiado jovem -.-), e quase diz que o murro é uma prova de amor por parte de Jared. Da próxima vez que quiserem falar com alguém lembrem-se de lhe dar um murro para ela perceber que gostam mesmo dela.
Infelizmente... Stephanie Meyer continua a surpreender-nos, lançando cliché atrás de cliché e dizendo que a cada livro que escreve fica melhor. Eu, se fosse a ela, pensava bem nessa teoria.
Com esta pequena crítica ao livro "Nómada" me despeço de vocês.

Até à próxima e... boas leituras!

Tuesday, 19 March 2013

O Punhal do Soberano - Opinião

Sinopse:
Fitz mal escapou com vida à sua primeira missão como assassino ao serviço do rei. Regressa a Torre do Cervo enquanto recupera do veneno que o deixou às portas da morte, mas a convalescença é lenta e o rapaz afunda-se na amargura e dor. O seu único refúgio será a Manha, a antiga magia de comunhão com os animais que deve manter em segredo a todo o custo. Enquanto recupera, o Reino dos Seis Ducados atravessa tempos difíceis com os ataques sanguinários dos Navios Vermelhos. A guerra é inevitável e preparam-se frotas de combate para enfrentar o inimigo, mas o Rei Sagaz não viverá por muito mais tempo. Sem os talentos de Fitz, o reino poderá não sobreviver. Estará o assassino real à altura das profecias do Bobo que indicam que o rapaz irá mudar o mundo?

Opinião:
Depois de ter ficado muito surpreendido com a mestria de Robin Hobb no "O Aprendiz de Assassino", não conseguia esperar para ler o segundo livro e acabei inclusive por comprar os outros três que completam esta saga. Digo já que adorei este livro mas não tanto como o primeiro. Talvez porque o primeiro foi o que me introduziu ao mundo de Hobb e trazia-me surpresas a cada virar de página. Este, por ser o segundo, lança-nos mais uma vez para um mundo que já conhecemos com personagens que também já conhecemos. Mas, mesmo assim, este é um dos melhores livros de fantasia que já li.
Continuamos a seguir, obviamente, a história de FitzCavalaria Visionário que no último livro ficou às portas da morte graças a um envenenamento por parte de Kettricken que pensava que Fitz queria matar o irmão, tudo por causa de Majestoso. Fitz, neste livro, começa a entrar na puberdade/adolescência, aquele momento da vida tão confuso e perigoso e que Robin Hobb conseguiu captar de uma forma impressionante. A sua paixão por Moli cresce a cada minuto que passa mas, no entanto, vê-se proibido de falar ou encontrar-se com ela, tudo devido aos mexericos da corte que iriam ver Moli como uma plebeia casada com um bastardo e sem qualquer dignidade. Depois temos Majestoso, a personagem que todos adoramos odiar, a personagem que nos faz querer arrancar as páginas do livro mas que não deixa de ser interessante e astucioso, conseguindo estar um passo à frente de Fitz, humilhando-o e rebaixando-o. A seguir Veracidade e ele é das minhas personagens favoritas. Preocupa-se por Fitz e trata-o como seu filho, odeia Majestoso e quer a todo o custo manter a paz no reino que, apesar de ainda não ser seu, é mais dele do que de Sagaz. E no meio de tantas ocupações, entre as quais treinar Fitz no Talento para que este o possa ajudar durante o Verão na luta contra os Navios Vermelhos, Veracidade não consegue arranjar espaço na sua vida para a pobre Kettricken, sua fiel esposa, que só quer passar mais tempo com o seu marido.
Kettricken é também bastante interessante e não conseguimos deixar de sentir empatia por ela. Sempre cresceu com os ideais de que o rei é um Sacrifício cujo dever é trabalhar e assegurar o bem-estar do povo, independentemente do que aconteça. Mas agora, atirada para um cultura diferente onde as princesas e rainhas ficam sentadas nos quartos a coser e a conversar, sente-se triste e sozinha e quando assistimos aos seus momentos de triunfo não conseguimos conter um grito de orgulho por ela. A personagem mais misteriosa e impressionante foi, sem dúvida, o Bobo que aparece poucas vezes ao longo do livro mas tem sempre uma presença teatral e misteriosa, ditando profecias e relatando histórias que escondem segredos mais ocultos.
Para mim, e sei que isto vai chatear algumas pessoas, a personagem que menos me cativou foi Lobito e os capítulos em que aparecia eram os mais aborrecidos. Não creio que acrescento algo de importante ou valioso para a história, parece uma personagem que foi atirada para ali só para fazer os leitores lembrarem-se da Manha. Certo que teve os seus momentos, principalmente quando salvou Fitz nas lutas contra os Forjados, mas por enquanto ainda não me conseguiu cativar. Por outro lado, os capítulos mais interessantes e que mais ansiava por ler eram os que envolviam a Moli e que foram, infelizmente, poucos. Eram os mais divertidos pois podíamos ver o quão acanhado e introvertido Fitz é quando está com a Moli.
Em suma, foi um livro que gostei bastante, sem dúvida, mas que não conseguiu superar o seu antecessor. Agora mais três para acabar a saga e pelo que vejo nas capas, consigo prever que vão haver uns quantos dragões à mistura. Robin Hobb ataca-nos mais uma vez com a sua escrita descritiva e com pouco diálogo mas que se revela rica e interessante com os seus constantes monólogos interiores. Estou ansioso pelos próximos!

8 estrelas, Excede as Expectativas

Até à próxima e... boas leituras!

Sunday, 10 March 2013

20 Coisas Que Eu Odeio (Versão Literária!) - Tag #4

Mais uma tag e, mais uma vez, vem adaptada do Youtube só que desta vez não vem da comunidade booktube mas sim de todas as comunidades, eu simplesmente me limitei a adaptá-la para a versão literária. No que consiste esta tag? Muito simples: basta dizer 20 coisas que odiamos (relacionadas, obviamente, com literatura e livros). Aqui vamos nós.

O melhor livro, tipo, de sempre

(Spoilers: vão ver muitas vezes a saga Twilight como exemplo)

1- Quando a personagem principal não faz nada o livro todo.
Uma personagem para ser principal tem de ser uma personagem activa que participa na maior parte de toda a acção. Agora, quando a personagem principal não faz nada e espera que os outros façam o resto, simplesmente não consigo aturar essa personagem. Exemplo óbvio: Bella da saga Twilight que é transportada de um lado para o outro pelo seu namorado, não faz nada os livros todos e quando há uma luta ou faz asneira ou fica a olhar.

2- Triângulos amorosos.
Ao contrário do que muita gente pensa, um triângulo amoroso não é fácil de se fazer e creio que é por isso que o mercado literário se encontra infestado com livros de triângulos amorosos (t.a.) horríveis e de meter dó. Para um t.a. ser bom tem de haver muito jogo psicológico e não pode ser evidente logo à primeira vista. Um exemplo de um bom t.a. é no HP em que ao longo da saga vemos um t.a. bastante dissimulado (Ginny-Harry-Cho) e um mau exemplo de um t.a. é, again, na saga Twilight em que nos esfregam na cara durante quatro livros um t.a. horrível entre o Edward, a Bella e o Jacob. Assim sendo, eu não odeio completamente os t.a., simplesmente os que são mal feitos (a maioria).

3- Quando a premissa do livro é esquecida para dar lugar a um romance remeloso.
Mais uma vez, adivinhem o exemplo. Twilight. Vampiros? So far so good. Lobisomens? Even better. Uma guerra entre duas raças mitológicas e brutais? Quero ler esse livro! E depois começamos a ler a saga e vemos espalhado ao longo de 400 páginas por livro um romance horrível, controlador e psicótico que faz o aspecto fantástico da guerra cair por água abaixo. Podia ter funcionado tão bem mas acabou tão mal...

4- Twists que o autor pensa que são excelentes mas que são uma grande porcaria.
"My milkshake brings all the boys to the yard
and they're like: 'it's better than yours',
and damn right, it's better than yours!
I could teach you, but I'd have to charge."
Depois de tantos anos e depois de tantos livros publicados é quase (se não é mesmo) impossível ter uma ideia completamente original por duas razões: já foi tudo feito ou a nossa ideia é tão diferente e revolucionária que repulsa os leitores. Por isso é normal que os autores da era contemporânea decidam dar os seus twists a velhas ideias. E isto pode resultar muito bem (como no caso dos livros da Jackson Pearce que pegou em contos de fadas e deu-lhes um twist mais sombrio) ou muito mal como, claro, no Twilight em que a senhora Stwphanie decidiu pegar nos vampiros (seres muito bem conhecidos entre todos) e pô-los a brilhar ao sol e fê-los vegetarianos. Não resultou.

5- Frases curtas e pequenas.
Uma das piores coisas que pode acontecer num livro é quando é todo escrito com frase pequenas e curtas. Não sei o que passa pela cabeça dos autores mas quando isto acontece, faz com que o livro pareça estúpido. Exemplo (e desta vez não é o Twilight): "Ele corria pelo corredor. Sentia a alcatifa macia debaixo dos pés. Os homens com os gorros corriam atrás deles. Os olhos não se viam." Que raio?! Não podia ficar tudo numa só frase? "Ele corria pelo corredor sentindo debaixo dos pés a alcatifa macia e ouvindo os passos abafados dos homens que corriam atrás dele, os gorros lançando sombras que escondiam os olhos". Muito melhor, não acham?

6- Pontos de exclamação durante uma descrição.
Juntamente com as frases pequenas, isto é também das piores coisas que um livro pode ter e quando os dois se juntam o livro vai parar ao "monte-de-jornais-para-acender-a-lareira". Não suporto ver pontos de exclamação na descrição porque parece que força uma ideia no leitor e faz com que o livro pareça infantil. Exemplo: "Olhou em volta e na parede estava um quadro azul!" Qual é a ideia? Não podia ficar lá um ponto final. E, se querem saber, já vi as frases pequenas e os pontos de exclamação num só livro: "O Espião Português" de Nuno Nepomuceno, vencedor do concurso Book.it de 2012.

7- Quando os autores fazem as personagens fazer coisas infantis.
Se as personagens são adolescentes ou adultas, porque razão estão elas a deitar a língua de fora a outras pessoas? Alguém me esclareça.

8- Personagens bipolares.
Uma perfeita descrição do Edward Cullen
Quando leio livros com personagens que estão constantemente a mudar de sentimentos penso que o autor estava bastante indeciso quando estava a escrever. Um exemplo perfeito é o Edward da saga Twilight (duh) que pode estar a sorrir muito feliz mas ai da Bella que se atreva a tocá-lo na mão! O Edward passa-se e ainda se transforma em purpurina!

9- Descrição em demasia.
Isto é um grande problema porque podem afastar muitos leitores. Há leitores (e este é o meu caso) que começam a ficar confusos quando o autor descreve demasiado um local ou coisa. Quando se põe a descrever tudo pormenor, eu fico perdido. Deixei os leitores imaginar certas coisas por si mesmos, não é preciso estar a dizer que a brisa fazia o mar ondular levemente, todos sabem que isso acontece.

10- Quando não dizem quem está a falar.
Para os autores que fazem isto, dou-vos já a dica de que, depois de uma fala, convém dizer quem é que a disse porque quando põe uma página cheia de diálogo e não referem quem fala, isso pode confundir os leitores. Tudo bem quando estão apenas duas personagens a falar, mas se há mais do que duas, nós, os leitores, não somos videntes para adivinhar quem é que está a falar de entre três ou mais personagens.

11- Capítulos muito curtos e capítulos muito grandes.
Para mim (e isto varia de pessoa para pessoa) um capítulo deve ter entre 10 a 20 páginas. Menos do que isso é ridiculamente pequeno e faz o livro parecer simples e infantil, mais do que isso é ridiculamente grande e cansa o leitor por duas razões: todos nós adoramos o sentimento de acabar um capítulo e todos gostamos de parar de ler no início de um capítulo (parar a meio de um faz com que me esqueça do que se está a passar).

12- Quando o enredo anda em círculos.
A pior frase que alguém pode pôr num livro é "Voltamos à estaca zero" porque quando isto aparece sabemos que as 200 páginas que acabámos de ler não serviram para nada e as 200 páginas que se vão seguir vão ser basicamente uma repetição das que acabámos de ler e parece que os autores fazem isto só para fazer os livros maiores de maneira a parecerem mais inteligentes. É ridículo.

13- Quando as personagens têm nomes impronunciáveis e ridículos.
"Que nome hei-de dar a esta personagem? Já sei! Vai-se chamar Tgreingagttuangiao'agiangianfi Taarhsdvnshbfgpsahf. E a esta? Tive uma ideia! Vou fechar os olhos e carregar em letras ao calhas e tada! Já está. Vai-se chamar Uiddggkhgfswnaf849162541dghji327rjnhssfn. Perfeito."
É preciso explicações?

14- Quando as capas não combinam com a história.
Isto é o que eu penso que se passa na cabeça dos designers das capas quando estão a fazer uma capa para um livro: "Ora bem então este livro é sobre uma rapariga que consegue ler os pensamentos das outras pessoas e subitamente é raptada por uma corporação malvada. Bora pôr uma gaja num vestido enorme e com um ar deprimido. Acho que isso resume muito bem o que se passa neste livro." E aqui está explicado o processo produtivo que ocorre aquando do design de uma capa.

15- Quando a meio de uma saga decidem, sabe-se lá porquê, mudar a capa because why not?
Some men just want to watch the world burn
Estamos nós muito bem a ler o 6º livro numa saga quando vamos à net e o que é que descobrimos? O 7º está para sair e foi revelada a capa. E adivinhem o que acontece. A capa não tem nada a ver e fizeram novas capas para os outros livros because fuck you, that's why. E agora vais ter 6 livros em tom de preto na tua estante e depois um 7º rosa choque que combina maravilhosamente com os outros livros.

16- Erros.
Não os suporto. Se um livro foi publicado é porque passou pelas mãos de um revisor e portanto todos os erros tipográficos devem ter sido eliminados. Mas não, vamos deixar os leitores jogar ao jogo "encontra o erro" porque faz a leitura muito mais divertida. Se não conseguem detectar os erros só a ler então copiem o livro para o Word porque, caso não sabem, há um verificador de ortografia que vos podia dar um jeitanço.

17- Quando o autor troca personagens.
No primeiro livro foi a personagem A que matou a personagem B mas no segundo vamos fazer com que tenha sido a personagem C só para confundir os leitores um bocadinho.

18- Quando os autores não querem usar asneiras e por isso arranjam palavras "substitutas" e ridículas.
Então temos a personagem principal que é um anjinho e depois a antagonista. Agora temos aqui um diálogo maravilhoso entre a personagem principal e um amigo: "-O que achas dela? - Pergunta o amigo. - Eu acho que é uma dama que vai à noite para a esquina vender o corpo a homens desesperados".
Porque escrever "prostituta" (ou o equivalente em calão "p**a") is too mainstream.

19- Quando ninguém morre.
Life's a bitch e todos sabemos portanto se vais pôr as personagens no meio de uma guerra é simplesmente demasiado ridículo que nenhuma delas morra. Autores, não tenham medo de matar personagens. As mortes são fantásticos plot twists e toda a gente gosta delas.

20- Finais inconclusivos.
Se o livro é um stand-allone (ah! ah! forever alone!) ou o último de uma saga, por favor dêem-lhe um final decente em que todas as pontas estão atadas porque se isso não acontece parece que aquele fim é apenas um intervalo num filme e os leitores ficam frustrados e atiram o livro para o "monte-de-jornais-para-acender-a-lareira".

Estas são 20 coisas que eu simplesmente odeio na literatura. Digam-me quais as coisas que não suportam num livro nos comentários ou façam um post no vosso blog. Não vou passar a tag a ninguém em concreto (*cof*Fiacha*cof*Maria Rita*cof*Mónica*cof*) portanto passo a tag a todos vocês! :)

Até à próxima e... boas leituras!

the end.

Friday, 1 March 2013

O Triunfo dos Porcos - Opinião

"Os animais lá fora olharam dos porcos para os homens;
dos homens para os porcos e
de novo dos porcos para os homens
mas já não havia qualquer diferença"

Sinopse:

Publicado pela primeira vez em 1945, O Triunfo dos Porcos transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.

Opinião:
Já tinha ouvido falar deste livro inúmeras vezes e sabia que era um clássico americano muitas vezes lido nas escolas dos EUA e por isso quando me deparei com ele na biblioteca da minha escola, decidi lê-lo. Devo dizer que esta tradução do título (o título original é "Animal Farm" o que faz muito mais sentido depois de ler o livro) e a capa (que é ridícula mas que também faz sentido depois de ler o livro) me deixaram um pouco desapontado mas visto que é um livro pequeno, lá o requisitei.
Confusos com o excerto que coloquei em cima e com a sinopse? Nada temam! Eu estou aqui para vos salvar. O excerto que está ali no topo é, na verdade, o último parágrafo do livro. Agora não entrem em pânico por causa dos spoilers porque aviso-vos que neste livro, a história nada interessa. A mensagem que transmite é mais importante. E para aqueles que entram neste livro sem qualquer ideia do porquê de ter sido escrito ou sem saber a mensagem, vai sair dele muito confuso e zangado porque, resumo simples, este livro conta a história de uns animais de uma quinta que, aparentemente, conseguem falar e que se revoltam e expulsam os humanos da quinta e tomam conta dela. Mas de entre todos estes animais, os mais respeitados são os porcos que são considerados mais inteligentes e com mais espírito de liderança e depois do mais velho e sábio porco ter apelado a uma revolta por parte dos animais e de ter morrido, dois porcos, Snowball e Napoleão (percebem agora o chapéu do porco na capa?), assumem o controlo. Major, o tal porco sábio que morre, diz que os animais são escravos e subjugados à vontade dos Homens e que estes devem ser eliminados e toda a Inglaterra deve passar a ser governada pelos animais. No entanto as coisas não correm da melhor forma.
Este é um livro que deve ser lido tendo em conta a sua mensagem porque é, sem sombra de dúvida, uma crítica directa e uma sátira ao comunismo. É uma oposição ao regime de Stalin cujo governo atingia o seu apogeu aquando da escrita e publicação deste livro. Ao longo de "O Triunfo dos Porcos", vemos a ascensão destes animais que seguem Napoleão e Snowball (que mais tarde é derrotado por Napoleão) e o quão ignorantes eles são. Boxer, um cavalo, tem duas máximas que ele segue: "Eu trabalharei mais" e "Napoleão tem sempre razão" e por todas as coisas que Napoleão (ou Squealler, o seu porta-voz) desminta e por todas as mentiras que ele diz, os animais seguem-no sempre. No início os animais escrevem uns mandamentos que resumem a teoria do Animalismo (em que os animais são superiores) mas para os animais mais ignorantes, estes mandamentos são reduzidos para uma máxima: "quatro patas bom, duas patas mau", ou seja, aqueles que têm 4 patas (os animais) são amigos, os que têm 2 (Humanos) são inimigos. Dois dos mandamentos são "nenhum animal deve dormir numa cama" e "nenhum animal deve beber álcool" mas como os porcos são corruptos e mentirosos, os mandamentos são "alterados" para "nenhum animal deve dormir numa cama com lençóis" e "nenhum animal deve beber álcool em excesso" após eles começarem a praticar estas acções.
Resumindo, um livro excelente e que serve como uma crítica perfeita ao comunismo e aos factores que fazem com que esta política não funcione. Recomendo: é uma leitura curta, interessante e que no entretém. 8 estrelas em 10, um Excede as Expectativas.

Até à próxima e... boas leituras!

Saturday, 16 February 2013

O Festim dos Corvos - Opinião

(SPOILERS NA SINOPSE. PARA QUEM AINDA NÃO LEU NEM O 6º NEM O 7º LIVROS DA SÉRIE, SALTEM PARA A OPINIÃO E EVITEM A SINOPSE!!!)
Sinopse:
Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?

Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannisters e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem desprovido de honra. Ou não será bem assim?

Opinião:
Vamos tentar fazer isto spoiler-free. Escusado será dizer que é uma missão quase impossível visto que este é o oitavo livro da série (em Portugal) ou quarto (na edição original) e as coisas começaram a evoluir tanto que é praticamente impossível não dizer um spoiler. Mas vamos tentar.
Este livro é basicamente o rescaldo do que aconteceu no anterior (aquele em que as coisas começam mesmo a ficar negras e onde morre uma cambada de gente) e portanto é mais lento quando comparado com o seu antecessor. Não há tantas reviravoltas nem batalhas ou cenas de acção. Mas digo uma coisa que provavelmente vai ferir a sensibilidade de muitos fãs da série: gostei mais deste livro do que de qualquer outro na série. Agora, antes que comecem a ficar malucos e a escrever comentários negativos, eu explico porquê: os primeiros dois foram quase uma leitura escusada visto que os li depois de ver a primeira temporada, os dois seguintes não tiveram muita acção mas foram bons mesmo assim. A seguir vieram "A Tormenta de Espadas" e "A Glória dos Traidores" e, supostamente, estes são os melhores porque toda a gente morre mas eu não apreciei muito estes porque levei com spoilers a toda a hora do que acontecia nestes livros e portanto para aqueles que ainda não acabaram a série dou-vos alguns conselhos: nunca vão ao anexo do livro que estão a ler porque podem levar com spoilers, tentem ir aos anexos do livro anterior; NÃO LEIAM NADA que seja relacionado com a série, seja posts no Facebook ou opiniões que não tenham um aviso prévio de anti-spoilers nem leiam os comentários de qualquer vídeo relacionado com a série. É que primeiro fui ver o anexo da "A Glória dos Traidores" e descobri o que acontece entre a Sansa e o Tyrion, depois descobri quem morria.
Neste livro não tive spoilers e por isso a leitura foi muito mais interessante. Gostei bastante dos novos POV's introduzidos mas fiquei um pouco receoso porque há um ou dois POV's de personagens que acabam por ser "esquecidas". No início fiquei desiludido por ver que as minhas personagens favoritas não tinham direito a POV neste livro (Tyrion, Daenerys, Jon, etc.) mas depois descobri que o "A Dance With Dragons" e "A Feast For Crows" eram suposto ser um só livro mas foram divididos geograficamente e por isso neste livro temos direito a POV's de personagens como Asha Greyjoy, Brienne de Tarth, Victarion Greyjoy, Aeron Greyjoy, Cersei Lannister, Jaime Lannister, Samwell Tarly, Sansa Stark (ou Alayne Stone), Arys Oakheart e Arianne Martell.
Gostei de todos os POV's e no início fiquei um pouco apreensivo quanto aos dos Greyjoy porque nunca gostei muito deles e o de Aeron "Cabelo-Molhado" Greyjoy foi um pouco aborrecido. De resto todos foram interessantes excepto os de Brienne que foram um pouco frustrantes visto que ela anda à procura de alguém que nós sabemos onde está mas ela não e portanto às vezes apetece gritar para o livro. Adorei os de Samwell Tarly: gostei do rumo que a sua história está a tomar e fiquei curioso por mais. Claro que também adorei os da Arya visto que foram bastante macabros e também interessantes mas ao mesmo tempo emocionais. Os de Cersei foram talvez os melhores visto que ela é uma personagem que adoramos odiar e portanto ler o que lhe passa na cabeça foi interessante pois temos direito a uma perspectiva diferente. Os que se passavam em Dorne foram um pouco aborrecidos mas mesmo assim agradáveis. Mas a minha personagem favorita foi mesmo Sansa Stark que apenas teve direito a dois capítulos: um sob o nome de Sansa Stark e outro com o nome Alayne Stone. Gostei bastante dela porque vemos que ela evoluiu quando comparamos o que ela foi no início com o que é agora e a diferença de nomes adiciona um toque curioso pois no capítulo sob o nome Sansa Stark vemos como ela era, a verdadeira Sansa, mas no capítulo da Alayne Stone vemo-la debaixo de uma máscara que é forçada a usar.
A escrita, como sempre, é brilhante o que seria de esperar vindo de Martin. Descritiva mas não até ao ponto de ser aborrecida, e bastante carregada de acção.
Agora estou, sem dúvida, ansioso para os próximos livros, vou é tentar evitar spoilers ao máximo.

Até à próxima e... boas leituras!

Monday, 11 February 2013

Prelúdio - Opinião

Sinopse:

Dinheiro. É tudo o que Alleth Vairs necessita e tudo o que o levou a juntar-se ao Serviço de Reconhecimento Amorsleano. O trabalho de espião paga bem, mas a nova missão pode trazer-lhe mais do que uma recompensa avultada. E os deuses, dizem, são graciosos...

O duque Rhenquist Alvaro sonha com uma Amorslea forte e unida. Para se certificar que certos obstáculos são removidos desse caminho, terá de operar nas sombras, manipulando os destinos do reino com jogos de poder.

Stephan Kallistos é atirado à força para o comando de um regimento destroçado após uma esmagadora derrota da Confederação. A promoção não lhe agrada, te todo. De facto, o avanço na carreira pode revelar-se terminal.

Do Norte Gelado os Crentes lançam-se uma vez mais contra os hereges do sul, e Quanon da Chama avança com os seus irmãos de templo nas fileiras da frente, pronto para a batalha.

Neste primeiro volume da saga Downspiral, a primeira saga steampunk em português, o leitor percorrerá por terra, água e ar os Reinos de Vapor, acompanhado por várias personagens cujos destinos se entrecruzam - e, mais importante de tudo, começará também ele a questionar-se: o que é o Sopro, para que serve, e porque tantos o procuram?

Opinião:
Um dos melhores livros que já li, sem dúvida. Sendo eu um fã hardcore de fantasia, tendo a ser bastante crítico quanto aos livros que se enquadram neste género e digo desde já que "Prelúdio" o primeiro livro de uma saga e de um autor promissores, não me desiludiu, de todo.
As personagens referidas na sinopse são apenas 4 das dezenas que encontra-mos ao longo do livro sendo que estas apresentadas são as principais. Stephan foi, sem dúvida, o meu favorito, apesar de estar numa luta renhida com Alleth que também foi bastante interessante. As personagens são-nos apresentadas num estilo muito Martiniano, bastante complexas e completas com tudo o que é preciso para ou gostarmos ou odiarmos. As duas personagens que referi são as únicas que têm direito a pedaços do seu passado o que eu achei um pouco triste porque gostava de saber mais sobre o que aconteceu antes de tudo isto ter tido lugar mas de certa forma compreendo que esta informação terá de ser espalhada pela saga porque senão este livro teria bem mais do que 800 páginas devido à quantidade de personagens. O facto de ter muitas personagens pode ser um aspecto negativo tendo em conta que o leitor se pode baralhar e confundir certas personagens mas para aqueles que já leram e que gostam de livros do género fantástico não terão qualquer problema com isto.
Outro aspecto fulcral e majestoso neste livro é o world-building, um dos melhores que já li e, atrevo-me a dizer, talvez tão bom ou melhor do que o de Tolkien. É bastante complexo mas ao mesmo tempo real porque não se torna demasiado fantasioso. Dentro do world-building, gostei do facto de a história que supostamente conhecemos do mundo real e que também seria aplicada aqui foi modificada (ex.: no mundo de Anton Stark os Humanos descendem de lobos e não de primatas). Ao longo do livro temos a sensação de que o autor conhece bem o seu mundo e podemos ver que sabe toda a sua história.
O enredo também é algo bastante bem desenvolvido. No início temos a sensação de que estamos a ler sobre umas personagens completamente aleatórias mas ao longo do livro, com cada virar de página e com o início de cada capítulo, podemos ver que, pouco a pouco, as personagens começam todas a ligar-se umas às outras, começamos a assistir à criação de elos de ligação entre as várias personagens e apercebemo-nos que desde o início que tudo fez sentido, nada foi aleatório.
A escrita do autor também algo de louvar. As descrições são perfeitas e fazem com que o livro se desenrole na nossa cabeça como um filme. A estrutura do livro é outra coisa diferente e que quero mencionar. Não é uma narrativa na 3ª pessoa em que o narrador é omnipresente e conhecedor de tudo, nem é contado na 1ª pessoa nem em POV mas sim uma mistura entre capítulo na 3ª pessoa e POV o que cria uma estrutura diferente e que ao princípio estranhamos mas que depois se torna perfeita para descrever o que se passa.
Um dos únicos e principais problemas que tive foi o final que mais pareceu um intervalo do que um final, como quando vamos ao cinema e fazem uma pausa a meio do filme. Outro problema foram os erros ortográficos que se acumulavam com cada página mas sei de fontes seguras que já foram todos corrigidos.
Um livro fantástico, sem dúvida, e que recomendo a todos os que apreciam o sublime género da Fantasia. 9 em 10 estrelas, um Brilhante. Leiam: é português, é óptimo e é de um autor novo e diferente que tem tudo o que necessita para se tornar num autor reconhecido até internacionalmente.

Até à próxima e... boas leituras!

Thursday, 7 February 2013

O Meu Livro Perfeito (Tag #3)

Mais uma tag! Para aqueles que não sabem, uma tag é um conjunto de perguntas ou normas que se devem seguir ou responder. O nome deriva do jogo "tag you're it" que, em português, é conhecido por "apanhadas". No jogo americano, quando alguém toca noutra pessoa para ser a apanhar, diz "tag you're it", é a tua vez. E o mesmo acontece aqui. Eu respondo a umas perguntas e passo a vez a algumas pessoas que quero ver a respondê-las. Portanto, aqui vamos nós.
Esta tag chama-se "O Meu Livro Perfeito" e originou na comunidade literária do Youtube mas eu vou adaptá-la para a blogosfera portuguesa.

1- A que género ou conjunto de géneros pertence o teu livro?
Provavelmente Fantasia com uma mistura de Drama e, claro, um pouco de Romance, simplesmente porque adoro Fantasia e porque é um género complexo que "apanha" outros géneros à mistura.

2- A tua personagem principal é um rapaz ou uma rapariga? E como é que ele/ela é?
Um rapaz. Se calhar porque também eu sou um rapaz ou se calhar porque não se vêem muitos heróis (masculinos). Se virmos bem, o mundo literário encontra-se apinhado de heroínas mas poucos heróis (não que seja machista, atenção). Provavelmente esse meu "rapaz" seria mais um "homem" nos seus vinte e tais anos, de barba e cabelo castanhos, olhos verdes, pele nem muito morena nem muito clara, alto, entroncado e, sendo um livro de fantasia, era um cavaleiro ou algo do género. Podia ter também um brinco do jade na orelha esquerda, não sei porquê :p Quanto à sua personalidade, seria carinhoso e simpático para os que conhece mas antipático para os desconhecidos, seria cavalheiresco e inteligente mas ambicioso e, se calhar, um pouco de ganancioso também.

3- Existe um companheiro/companheira de aventura?
Provavelmente até mais do que um. Dois. Um rapaz e uma rapariga. O rapaz seria mais novo, na sua adolescência, a rapariga mais ou menos da mesma idade.

4- O vilão é completamente mau ou está no "cinzento"?
No cinzento, claro. Não gosto de vilões que são completamente maus e horríveis e maléficos. Gosto daqueles que são mais no cinzento, nem bons nem maus, mas no meio. Como a Cersei d'As Crónicas de Gelo e Fogo. É má, horrível, impiedosa, mas percebemos o porquê disse tudo e até sentimos compaixão por ela.

5- Drama ou acção?
Os dois. Sendo um livro de fantasia, era bom ter  um pouco de drama no início, algo que começasse a construir os eventos que seriam de acção (uma guerra, talvez) e que tomariam lugar no final do livro. No início conspirações e murmúrios, no fim guerra e sangue.

6- Quão importante é o desenvolvimento das personagens?
Obviamente, muito. Sem desenvolvimento não conseguimos sentir compaixão nem compreender o motivo das personagens agirem como agem. Por isso é que não me importo que certas partes de livros ou sagas sejam mais lentos porque é nessas partes que começamos a perceber os porquês daquilo tudo, o porquê de as personagens fazerem o que fazem.

7- Haveria algum aspecto paranormal?
Paranormal tipo vampiros e assim, não. Criaturas mitológicas, talvez. Nada de Elfos e Anões e Unicórnios, mas criaturas diferentes e inovadoras.

8- Quem é o interesse romântico perfeito?
Respondi acima que haveria uma rapariga a acompanhar o herói, mas ela nunca acabaria junta com ele. Não gosto muito quando isso acontece porque torna-se previsível. Provavelmente o interesse romântico seria alguém que aparecia mais para o meio do livro e teria de ser inteligente, sincera e, essencialmente, ser ela própria.

9- Amor à primeira vista ou desenvolvido lentamente?
Desenvolvido lentamente, óbvio. Odeio, odeio completamente, quando acontece o "insta-love" (amor à primeira vista) como no "Crepúsculo". Ugh... Tem de haver um motivo pelo qual as personagens se apaixonaram.

10- Eles acabam juntos no fim?
Só porque sou mau, não. No final ou a personagem principal morre ou o interesse amoroso. Life's a bitch.

11- Final feliz, triste ou agridoce?
Agridoce. Não pode ser feliz porque odeio quando as coisas acabam do género "e viveram felizes para sempre". Triste também não porque passei um livro ou livros inteiro a ler sobre as personagens e no final morrem todas ou ficam todas malucas. Agridoce é o melhor porque tem de haver alguém que morre e alguém que fica feliz.

12- Deixar na expectativa ou ficar com as pontas todas apertadas?
Deixar as pontas apertadas a não ser que seja uma saga ou trilogia ou o que quer que seja porque se assim for tem de haver um balanço: algumas pontas têm de ficar bem apertadas (as menos importantes) mas a história central tem de ser deixada em aberto, claro.

13- O teu livro perfeito já existe?
Há alguns que quase que tocam lá nos meus padrões de perfeição (como As Crónicas de Gelo e Fogo, o Harry Potter ou o Prelúdio do Anton Stark) mas acho que isto é subjectivo e o livro perfeito de cada um tem de ser escrito por nós e não por alguém porque esse alguém não nos conhece, só nós nos conhecemos a nós próprios (um pouco confuso, eu sei).

14- Se não existe, que autor gostarias que o escrevesse?
Simples: eu.

E acabou. Catorze perguntas simples. Com isto, passo a vez aos seguintes blogs (e quero ver estas perguntas respondidas e passadas xD):
Leituras do Corvo Fiacha
O Imaginário dos Livros
A Thousand Lives
One Love, a Thousand Books

Até à próxima e... boas leituras!

Sunday, 3 February 2013

2013 Literário (Mais um Selo)



O segundo selo da semana e o segundo do meu blog! Este foi-me oferecido pela Mónica do blog A Thousand LivesAs regras para este são:

  • Indicar, no mínimo, dois livros que gostou de ler em 2012 (sem limite máximo)
  • Indicar pelo menos três livros que deseja ler em 2013 (sem limite máximo)
  • Oferecer o selo a mais 10 pessoas para dar sequência a este projecto de incentivo à leitura

Em 2012 li 25 livros, dos quais irei destacar apenas alguns (por ordem cronológica de leitura):
  • "O Diário de Anne Frank", de, claro, Anne Frank. Um documento vivo que traduz perfeitamente a adolescência e a mentalidade dos adolescentes.
  • "Alex 9", de Bruno Martins Soares. Este livro foi-me oferecido há muito tempo mas só o ano passado o li e foi, sem dúvida, uma surpresa.
  • "The Hunger Games" e "Catching Fire", de Suzanne Collins, foram os primeiros livros que li em inglês e foram simplesmente espantosos.
  • "O Nome do Vento", de Patrick Rothfuss, um livro mais do que fantástico, uma leitura obrigatória para todos os fãs de fantasia.
  • "Divergent", de Veronica Roth, outro livro de distopia que me deixou com muitas perguntas na cabeça.
  • "A Glória dos Traidores", de George R.R. Martin. Este nem é preciso explicar...
  • "Aprendiz de Assassino", de Robin Hobb foi, talvez, a maior surpresa literária do ano passado.
Livros a ler em 2013:
  • Clássicos, mais clássicos, a começar por "Os Miseráveis" de Victor Hugo, "Jane Eyre" de Charlotte Brontë, "O Monte dos Vendavais" de Emily Brontë, "Viagem ao Centro da Terra" de Jules Verne, "Anna Karenina" de Leo Tolstoy, etc.
  • Ler mais livros dos meus autores favoritos. Ou seja, ler, pelo menos, o 7º e o 8º d'As Crónicas de Gelo e Fogo; pelo menos o 2º da Saga do Assassino; "Uma Morte Súbita" de J.K. Rowling; o 2º das Crónicas do Regicida de Patrick Rothfuss, etc.
  • Ler mais em inglês porque, para além de ficar mais barato, treina o meu inglês e é mais divertido.
  • Ler mais YA (young-adult)
  • Ler mais livros!
Passo o selo a:

Até à próxima e... boas leituras!

Friday, 1 February 2013

Liebster Award

Tenho de agradecer imenso à Maria_queenfire do fantástico blog "O Imaginário dos Livros" que, para além de excelentes opiniões sobre excelentes livros, tem maravilhosos desenhos de personagens e momentos dos livros e a cada novo desenho fico mais e mais surpreendido com as capacidades artísticas dela. Há pouco tempo falei aqui sobre o que era a Arte e disse que chegaria um momento em que tínhamos trabalhado tanto naquilo que gostamos de fazer que acabaremos por chamar a esse trabalho uma obra de Arte e os desenhos da Maria são, sem dúvida, algo que ela se devia orgulhar e, para mim, são mais belos do que as famosas obras de Arte.


Mas, continuando, o Liebster Award é um selo criado para promover blogues com menos de 200 seguidores e, como tal, o meu é, sem dúvida um desses. As regras são:

  • Lista com 11 factos sobre nós
  • Responder às 11 perguntas que nos atribuíram
  • Nomear 11 bloggers com 200 ou menos seguidores, colocar o link dos respectivos blogs neste post e avisá-los/las sobre os prémios
  • Fazer 11 novas perguntas para esses mesmos bloggers

11 factos sobre mim:
  • O meu sonho é ser escritor
  • A minha banda favorita são os Paramore
  • Estou no curso de Ciências Socioeconómicas
  • Os meus autores favoritos são a J.K. Rowling e o George R.R. Martin
  • A minha estação do ano preferida é o Inverno
  • Adorava poder viver em Inglaterra
  • Quero um dia tornar-me num booktuber (fazer o que faço neste blog mas em formato de vídeo e postá-lo no Youtube)
  • A minha disciplina favorita é Economia
  • Sou aracnofóbico
  • Não consigo viver sem o meu relógio ou sem algo que me diga o tempo
  • Sou muito mau a tentar ler um livro de cada vez

Respostas às perguntas da Maria:

1- Porque decidiste criar o blog?
Porque sempre me senti sozinho no mundo literário uma vez que conheço muito pouca gente que gosta de ler e gostava de poder falar com pessoas que partilhassem o mesmo interesse do que eu.

2- O que gostas mais no teu blog?
Sinceramente, não sei... Se calhar o facto de fazer quase regularmente posts com tag's o que é bastante incomum aqui na blogosfera literária portuguesa.

3- O que podes melhorar no teu blog?
Tenho de começar a fazer mais posts e parar de ser preguiçoso.

4- Qual é o teu maior sonho?
Tornar-me num escritor e poder viver da escrita.

5- Qual o teu livro favorito?
Vou ter de fazer muita batota e responder com a saga do Harry Potter e com "As Crónicas de Gelo e Fogo"

6- Se pudesses definir a tua vida com uma música, qual seria?
Uma pergunta bastante difícil. Mas provavelmente com a música "Airplanes" da Hayley Williams (vocalista dos Paramore) e do B.o.B. porque é a música que representa a amizade com a minha melhor amiga e descreve muito bem momentos importantes da minha vida.

7- Qual o teu hobbie de eleição?
Escrever e ler, claro.

8- Qual a tua viagem de sonho?
Se algum dia tiver dinheiro suficiente para fazer uma mega viagem, eis os meus países de eleição: Reino Unido, Irlanda, Islândia, Países Baixos, França, Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Suécia, Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

9- Qual o teu filme favorito?
Não tenho nenhum xD Tenho muitos e não os vou listar aqui todos mas eis alguns: "Cloud Atlas", "Harry Potter and the Deathly Hallows Part 1", "Harry Potter and the Order of the Phoenix", "The Invention of Hugo Cabret", "Pitch Perfect", "Brave", etc.

10- Se pudesses ser uma personagem de um livro ou filme, qual serias? Porquê?
Provavelmente o Ron Weasley tanto dos livros como dos filmes do Harry Potter por várias razões: primeiro porque ele é mágico, segundo porque vai para Hogwarts todos os anos, terceiro porque a casa dele é super fixe, quarto porque ele acaba com a Hermione, quinto porque ele é o underdog tal como eu e sexto porque ele conhece o Harry Potter.

11- Qual a tua profissão de sonho?
Bem, como já foi dito inúmeras vezes neste post, ser escritor.

E os blogs nomeados são:

E agora, as 11 perguntas aos bloggers que nomeei:
1- Como descreverias a tua vida em 3 palavras?
2- Qual o livro que mais te marcou?
3- Qual o primeiro livro que te lembras de ler?
4- Se te deixassem numa ilha deserta onde poderias levar 7 livros, que livros levavas?
5- Qual o teu vilão literário favorito?
6- Se pudesses reencarnar como um animal, qual seria e porquê?
7- Se te dessem a oportunidade de ires a um lugar na Terra de graça, onde ias?
8- Quantos livros possuis? 
9- Qual o livro que marcou a tua infância e qual o que marcou a tua adolescência?
10- Se te dessem a hipótese de aprender uma língua sabendo que ao final de um mês a saberias fluentemente, que língua aprenderias?
11- Se pudesses viver num mundo fantástico qualquer, em qual viverias?

Até à próxima e... boas leituras!

Saturday, 26 January 2013

Top 10 de 2012

Bem, 2013 já começou há algum tempo mas devido a alguns contratempos, só agora tive tempo de fazer um novo post. Em 2012 desafiei-me a ler 30 livros e, infelizmente, apenas li 25, no entanto, esses 25 foram dos melhores livros que alguma vez li. Assim sendo, aqui fica o meu top 10 livros lidos em 2012 (não estão por ordem, sendo todos igualmente fantásticos):

1. O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss



2. A Glória dos Traidores, de George R.R. Martin



3. Aprendiz de Assassino, de Robin Hobb
´


4. Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins



5. Em Chamas, de Suzanne Collins




6. Alex 9, de Bruno Martins Soares



7. Divergente, de Veronica Roth



8. A Senhora da Magia, de Marion Zimmer Bradley


9. O Diário de Anne Frank, de Anne Frank
´


10. A Irmandade do Anel, de J.R.R. Tolkien



Qual os vossos 10 livros favoritos lidos em 2012? Têm intenção de voltar a lê-los em 2013? Eu vou reler o Divergente, provavelmente Os Jogos da Fome e Em Chamas e, de certeza, O Nome do Vento. Simplesmente adoro reler livros. E vocês? Preferem ficar por uma leitura ou gostam de revisitar os bons livros?

Até à próxima e... boas leituras!